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ano 6 - número 1221

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"A verdadeira maneira de se enganar é julgar-se mais sabido que outros."
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La Rochefoucauld

   
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O que será?
Que o candidato tucano Geraldo Alckmin levou vantagem no debate promovido pela Band, neste domingo, ninguém tem dúvidas. Porém, se o debate definiu o estilo da campanha do segundo turno, além de ter funcionado como uma lavanderia recíproca, resta saber que tipo de influência o telecatch político exerceu no eleitorado, a ponto de mudar os números das últimas pesquisas. Enquanto os resultados de novas pesquisas não forem anunciados, Lula permanece na dianteira, mesmo que sua pule eleitoral exiba contornos de placê. (Foto: Rede Bandeirantes)

Dinheiro pelo ladrão
Dólares na cueca, dinheiro na mala, milhões de Reais nas contas dos mensaleiros, propina nos Correios. Em qual outro lugar poderia existir dinheiro? A sensação de impunidade, turbinada pelo desespero que toma conta do cenário político nacional, levou um empresário mineiro a uma atitude insana. Há dias, um graduado executivo de um banco estrangeiro, que funciona legalmente no Brasil, foi procurado por um empresário de Belo Horizonte, que entre tantas credenciais se apresentou como sendo íntimo de um ex-ministro – de barba, diga-se de passagem – para questionamentos bisonhos. No escritório da instituição, em Brasília, o diretor foi surpreendido por uma necessidade no mínimo estranha: transferir centenas de milhões de Reais para o exterior. Assustado, o dirigente do banco preferiu o silêncio, enquanto o empresário espertalhão ficou a ver navios.

Rota perigosa
Depois de bater de frente com Luiz Inácio Lula da Silva durante as eleições municipais de 2004, a alcaidessa fortalezense Luizianne Lins tem apostado seu cacife político na reeleição do candidato presidencial petista, a quem, nos últimos tempos, tem dedicado uma inesperada devoção. Para mostrar sua dedicação inconteste, Luizianne não tem se incomodado de enfrentar o imobilismo pós-eleitoral que os irmãos Ciro e Cid Gomes tentam impor no Ceará. Caso o presidente Lula saia derrotado das urnas, Luizianne Lins estará com seu futuro político literalmente comprometido. Vivendo às turras com Ciro e Cid, nos bastidores da campanha petista, Luizianne vai acabar comprometendo a própria administração, pois as torneiras do governo estadual certamente secarão. Mais: abusando do livre trânsito que tem nos veículos de comunicação, Luizianne Lins declarou, há dias, que a ampliação do Instituto José Frota, hospital de emergência de Fortaleza, depende da reeleição dopresidente Lula, que assegurou a liberação de verbas contigenciadas para a obra. A reforma está avaliada em R$ 8 milhões. Só o presidente renovando o mandato asseguraria a realização, disse Luizianne. E a Justiça Eleitoral, por onde anda?

É festa!
No momento em que os governadores eleitos se empenham na formação do futuro secretariado e cuidam da transição de governo, o próximo governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), mergulha cada vez mais na agora fragilizada campanha de Luiz Inácio Lula da Siva, o que não significa que o presidente-candidato não tenha chances de vencer no próximo dia 29. Uma derrota do presidente Lula poderá comprometer o futuro da Bahia, pois mesmo que em discurso candidatos prometam não retaliar adversários, vingança, principalmente política, faz parte da natureza humana. O próximo governador baiano, que parece desconhecer o significado de responsabilidade institucional, age como se estivesse pulando carnaval mesmo depois da quarta-feira de cinzas.

Saia justa
Depois de conquistar nas urnas 47,21% dos votos válidos, em sua corrida ao governo do Maranhão, a senadora Roseana Sarney tem dois consideráveis problemas pela frente. O primeiro deles será enfrentar o pedetista Jackson Lago, em segundo turno, e o outro é aguardar uma decisão do PFL, que pode expulsá-la do partido por ter apoiado o candidato-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Roseana, que novamente declarou apoio a Lula na disputa contra Geraldo Alckmin, está com um pé fora do PFL. Presidente nacional do partido, Jorge Konder Bornhausen aguarda uma reunião do PFL para referendar a vontade da maioria, o que pode acontecer nos próximos dias. Caso a expulsão ocorra antes de 29 de outubro, como fica a candidatura de Roseana Sarney? Afinal, ela será uma candidata sem partido, o que não é permitido pela legislação eleitoral.

Ninguém merece
Uma semana depois de ter sido eleito para a Câmara Federal, o costureiro-apresentador Clodovil Hernandes já começa a exibir a sua pequenez, certo de que é a última solução do planeta para a bandalheira que se instalou na política nacional, como um todo. Entrevistado pelo tablóide argentino Perfil, Clodovil declarou que não vê problema em aceitar dinheiro para votar a favor do governo. Perguntado sobre que valor em dinheiro seria justo para tamanha sandice, disparou: “cada um pesa o dinheiro em sua própria balança. Eu não resolverei os problemas de ninguém. Aqueles que votaram em mim acreditando que eu iria solucionar os seus problemas se enganaram, isso é uma bobagem digna de quem foi mal colonizado”. Mostrando total despreparo para a política, o deputado-costureiro, que corre o risco de não desembarcar em Brasília, disse que Lula é “um anormal que não raciocina bem, que se compara a Jesus”. E quem é Clodovil, para avaliar a suposta normalidade de alguém? (Foto: ofuxico.com.br)

Falta do que fazer
Não bastasse tamanha bizarrice discursiva, Clodovil, ao se referir à camada mais pobre da população brasileira, declarou: “não me interessa ser aplaudido por um mendigo que nada entende porque não tem o que comer, quero que me aplaudam os que têm os neurônios bem alimentados”. Fosse o Brasil um país minimamente sério, Clodovil não teria sido eleito. Sua expressiva votação é o resultado do descrédito do eleitor em relação à classe política, que nas últimas décadas transformou o parlamento em um imundo e privado clube de negócio, cujo balcão alarga a cada novo dia que surge. As declarações de Clodovil Hernandes, que mereceram um pedido de providências por parte do senador Eduardo Suplicy, podem, inclusive, convergir para a perda do mandato. O que, diga-se de passagem, seria algo extremamente merecido.

O tal do poder
Como noticiou a coluna, Clodovil Hernandes, semanas antes das eleições, tentou, e conseguiu, embarcar em um vôo com destino a Belo Horizonte, sem apresentar os documentos originais, o que é obrigatório por determinação legal. Na ocasião, o ainda candidato, que se fez representar por um terceiro, chegou a ameaçar as funcionárias da companhia aérea, no aeroporto de Congonhas, caso não seguisse viagem. Por tudo que vem realizando nas últimas semanas, o mais novo e insano deputado caminha para o ineditismo político. Estreará nos corredores da Câmara tendo a quebra de decoro como coadjuvante. Ou seja, não bastando os saltimbancos que ora temos, aparece um com punhos de seda.

Repetindo a dose
Com 63% da preferência do eleitorado gaúcho na bagagem, a candidata Yeda Crusius não se deixou intimidar pelas acusações de seu adversário, o petista Olívio Dutra, durante debate realizado pela Band, no Rio Grande do Sul. Candidata ao Palácio Piratini, sede do Executivo local, Yeda tem sido alvo dos mesmos argumentos que Luiz Inácio Lula da Silva vem usando contra Geraldo Alckmin: privatizações, demissões, etc. Não se pode negar a importância do Partido dos Trabalhadores no processo de retomada da democracia, mas o modelo político que os barbudinhos da Botocundia adotam é o mesmo que dominou a União Soviética durante anos a fio. Falácias, corrupção, fartura, aparelhamento do Estado, viagens e tudo mais que o comunismo condena, pelo menos em tese. (Foto: alencontre.org)

Amnésia interesseira
Já no Paraná, o debate entre o governador licenciado Roberto Requião (PMDB) e o senador Osmar Dias (PDT) foi morno, diferentemente do que era esperado, especialmente pelas últimas denúncias que despencaram sobre o Palácio Iguaçu. Exibindo uma calma que traduzia respeito ao adversário e não o equilíbrio de um governante – até porque o Paraná conhece o destempero e o desequilíbrio do governador – Requião preferiu não tocar no assunto da fazenda Lagoa da Prata, de propriedade de seu adversário, enquanto Osmar Dias não ressuscitou o imbróglio da arapongagem oficial que teve o policial civil Délcio Rasera como protagonista principal. Se roupa suja não foi lavada no debate paranaense, quem lucrou foi a porção indecisa do eleitorado, que poderá nos próximos dias escolher em quem votar. Por outro lado, Roberto Requião, que abusa da truculência para intimidar os inimigos, continua devendo explicações ao povo do Paraná. Duas dúzias de parentes empregados pelo Estado, um charmoso apartamento em Paris e um milionário imóvel na badalada Miami Beach estão na lista.

Competência de sobra
Deputado federal que brilhou na CPI dos Correios e candidato mais votado no Paraná, nas últimas eleições, Gustavo Fruet vem sendo vítima da maledicência dos seguidores de Gutenberg. A imprensa vem divulgando, desde a última semana, que Fruet pode fazer dupla com o também tucano Beto Richa, hoje à frente da prefeitura de Curitiba, para vôos mais altos em termos político-eleitorais. As notícias dão conta que em uma eventual chapa puro sangue do tucanato paranaense, Gustavo Fruet seria vice de Richa. Trata-se de uma maldade, pois Fruet é areia demais para a irrisória caçamba política do prefeito curitibano.

Arrumando as gavetas
No Ceará, as últimas eleições provocaram uma interessante mudança no cenário político. Ainda dominado pelo coronelismo, que arrasta o Estado para a obsolescência política, o Ceará mandou para casa, através das urnas, dois deputados estaduais que antes da vida parlamentar integravam os quadros policiais cearenses. Por outro lado, como a vida é feita de compensações e o mundo não pode viver em desarmonia, três dos eleitos no último dia 1º de outubro são apresentadores de programas policiais. Em outras palavras, saiu de cena o fato e entrou a notícia, mesmo que sensacionalista seja.

Muito estranho
Terra de discórdias ímpares e soluções à altura, Rondônia vive um momento peculiar desde o fim das eleições. Até agora, o Tribunal Regional Eleitoral não finalizou os trabalhos, o que tem ceifado o direito do eleitor rondoniense de conhecer os nomes dos vinte e quatro deputados estaduais eleitos que, em 2007, assumem o trabalho do Legislativo local. Mesmo assim, há quem ainda defenda o sistema eleitoral como o mais moderno do planeta. É bom lembrar que Rondônia é um daqueles lugares onde a invenção da justiça e da pólvora ocorreu no mesmo dia.

Portão de embarque
Mais um capítulo bisonho foi adicionado à trágica novela do acidente com o Boeing 737-800 da Gol. Tão logo o acidente foi noticiado, autoridades se apressaram em divulgar que o Legacy, fabricado pela Embraer, deveria estar voando na altitude de 36 mil pés, e não na mesma aerovia do Boeing, a 37 mil pés. Como a culpa pelo maior acidente da história da aviação brasileira é o ingrediente que qualquer campanha política não precisa, surge uma nova versão para a tragédia. Depois que os militares que vasculham a Serra do Cachimbo, em Mato Grosso, conseguiram o milagre de encontrar uma cópia do plano de vôo junto ao corpo do co-piloto do Boeing, descobriu-se, então, que o jatinho que rumava aos Estados Unidos deveria voar a 38 mil pés. Ora, se uma cópia do plano de vôo foi localizada, é porque um original do documento deve existir. E por que só agora esse detalhe vem à tona? Tem boi na linha e ele voa. (Foto: Florian Trojer)

Plumas de sobra
Pensando bem, Clodovil é a Madonna de calças, “pero no mucho”. Faz da polêmica um trampolim para a fama.

Mais uma mentira
(10/10/05) - O presidente Luiz Inácio, que desembarca no Rio de Janeiro ainda hoje, vai prometer o que sabe ser impossível cumprir. A visita presidencial à Cidade Maravilhosa tem como objetivo fazer de uma licitação para construção de navios para a Transpetro mais um fato supostamente positivo para um governo que luta diuturnamente para sair da lama. É sabido nos bastidores do poder que a construção de navios para a Petrobras é um jogo imundo e de cartas marcadas. Assunto, inclusive, que Delcídio Amaral, José Janne e Silvio Pereira sabem de cor e salteado. Ou será que vão negar a essa altura do imbróglio?

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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