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ano 6 - número 1220

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Bom de briga é aquele que cai fora."
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Adoniran Barbosa

   
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Chuchu com pimenta
Candidato do PT a permanecer no Palácio do Planalto por mais quatro anos, Luiz Inácio Lula da Silva não esperava que Geraldo Alckmin deixasse de lado a fantasia de chuchu e comparecesse ao debate, promovido pela Rede Bandeirantes, com pimenta de sobra. Ficou claro que Lula não vai responder tão cedo sobre o dinheiro que seria utilizado para a compra do Dossiê Cuiabá, e se o fizesse estaria legalmente enterrando a própria candidatura. Se Geraldo Alckmin – assim como o PSDB – deve à sociedade explicações diversas, Lula não pode continuar dizendo que desconhecia as estripulias de Valdomiro Diniz, Marcos Valério e dos envolvidos no Freudgate. Questionado sobre a compra do avião presidencial, a que Geraldo Alckmin se referiu como Aerolula, o presidente Lula embarcou na retórica do candidato tucano e repetiu o neologismo “Aerolula”. É o fim!

Engana, o povo gosta
“A lógica da ética é você punir quando acontece”. Assim o presidente Lula respondeu a uma das condimentadas perguntas formuladas por Geraldo Alckmin, durante o debate deste domingo, que insistiu em saber a origem do dinheiro do dossiê. Sem ter muito que dizer, Lula, por sua vez, preferiu apelar para a retórica que tomou conta do Palácio do Planalto desde a divulgação do escândalo. Ora, se a lógica da ética é punir quando acontece, alguém precisa explicar os motivos que levaram Duda Mendonça a se ver livre do imbróglio da rinha de galos em Jacarepaguá. Ontem, domingo, vinte e sete pessoas flagradas em uma rinha em Belo Horizonte começam a semana contemplando o nascer do sol de maneira geometricamente distinta. Ou seja, quadrado e xadrez.

E o dinheiro?
Assunto que levou o candidato petista ao segundo turno, o Dossiê Cuiabá voltou a ser o ponto principal do ataque do tucano Geraldo Alckmin na direção de Lula. Fugindo seguidas vezes da pergunta, Lula, em determinado momento, disse que a Polícia Federal é competente e que a sociedade saberá da verdade no momento em que a corporação tiver a resposta. Acontece que a PF já finalizou o cruzamento dos telefonemas dados pelos “aloprados” que estavam dispostos a pagar R$ 1,7 milhão por uma papelada sem valor algum, pelo menos até o momento. As chamadas, quase todas a partir de telefones celulares, tinham dois destinos polêmicos: o PT de São Paulo e o comitê de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva.

Até agora nada
Com a crise do Dossiê Cuiabá se alastrando cada vez mais, o presidente Lula, sem aparecer na foto, determinou a saída de Ricardo Berzoini da presidência nacional do PT, como se isso pusesse fim ao imbróglio que empurrou o candidato petista para o segundo turno. Depois de ser arrancado da coordenação da campanha do presidente-candidato, Berzoini apenas se licenciou do cargo, o que mostra que a armação petista era do conhecimento de muitos dos freqüentadores do Palácio do Planalto. Enquanto Lula aposta na licença de Ricardo Berzoini, que deve sair ligeiramente do foco, o Brasil continua querendo saber a origem do dinheiro que seria utilizado para a compra da documentação contra candidatos da oposição. E nada do PT e do Palácio do Planalto revelarem a verdade.

Reis do ringue
Que o segundo turno seria recheado de baixarias já era do conhecimento do eleitor, mas o que alguns adeptos e defensores da candidatura Lula praticam é banditismo político. Tentar reverter o quadro atual abusando das mentiras e induzindo o eleitor ao erro é o que Marta Suplicy vem fazendo nos últimos dias, na qualidade de coordenadora da campanha presidencial petista em São Paulo, como se a ex-prefeita fosse unanimidade na maior cidade do país. Em suas aparições e entrevistas, Marta tem se valido de temas como o fim do Bolsa Família e a privatização da Petrobras, no caso de o candidato tucano derrotar o companheiro Lula em 29 de outubro.

Perna curta
Para justificar as falácias que têm turbinado seus recentes discursos, Marta Suplicy se pega ao fato de Geraldo Alckmin manter constantes diálogos com Luiz Carlos Mendonça de Barros, o economista tucano que, mesmo sob suspeitas de corrupção, comandou o processo de privatização na era FHC. Se Alckmin, caso seja eleito presidente, der a Mendonça de Barros algum cargo de confiança em sua equipe de governo, deverá ser duramente cobrado por tal decisão, pois os escândalos passados ainda permanecem vivos na memória dos brasileiros. Porém, o simples fato de tê-lo consultado não significa que Geraldo Alckmin extinguirá o Bolsa Família, privatizará a Petrobras ou demitirá servidores federais. Fossem procedentes as ilações da petista, Lula estaria pensando em construir túneis que não apenas naufragam com as águas pluviais, mas inundam as contas bancárias de alguns espertinhos. De igual maneira, Lula também fará acordos bisonhos com companhias de ônibus, além de permitir que Dona Marisa, nos bastidores, comande trampolinagens das mais diversas. Será mesmo, Dona Marta?

Perdendo o bonde
Quando os oposicionistas trazem à baila os escândalos advindos do Palácio do Planalto, os situacionistas – leia-se petistas e penduricalhos políticos – rebatem dizendo que a corrupção foi criada no governo de Fernando Henrique Cardoso. Ora, se a corrupção cardosiana foi detectada pelo atual governo e nada foi feito para condenar os culpados, o presidente Lula, a exemplo dos envolvidos nos escândalos, deve ser duramente penalizado pela omissão, sem o direito de transformar os crimes passados em moldura de sua retórica barata e populista. O que causa estranheza maior é o fato de Lula afirmar, repetidas vezes, que jamais soube das transgressões criminosas de seus “aloprados” companheiros, enquanto mostra saber demais sobre o que ocorreu nas coxias da era FHC. Ou Luiz Inácio Lula da Silva falta com verdade de maneira acintosa, ou parou no tempo e não foi avisado. Porque tal qual a fila, a corrupção anda. (Foto: radiometropole.com.br)

Encrenca das boas
Lançada pela coluna, adotada pela oposição e agora aterrorizando o petismo, a tese da cassação do senador Aloízio Mercadante, por conta de seu envolvimento no escândalo do dossiê, começa a ganhar corpo. Mercadante, nos bastidores, tem tentado amenizar sua crítica situação com telefonemas disparados para os mais diversos nichos da política nacional, mas, segundo apurou a coluna, sua incursão proporcionará pouco resultado. Integrantes do PT, já acostumados com escândalos dessa natureza, acham que escapar da cassação é quase impossível. Vale lembrar que, em 2002, Aloízio Mercadante arrebatou os votos de pouco mais de 10,5 milhões de eleitores paulistas. Ou seja, o que o eleitor comprou não foi entregue. Algo parecido com um candidato que o marqueteiro Duda Mendonça embrulhou para enganar.

Fogo de chão
O petismo gaúcho está inconsolável. Se a ida da tucana Yeda Crusius para o segundo turno da corrida ao Palácio Piratini causou surpresas – quem acompanhou as pesquisas do Instituto Methodus sempre soube da possibilidade – estar à frente do petista Olívio Dutra provocou desânimo maior ainda no PT local. Para tentar evitar o que, segundo as pesquisas de opinião, parece ser inevitável, petistas começam a disseminar pela rede mundial de computadores algumas falhas de Yeda Crusius como ministra de FHC, como se o PT fosse uma reunião de sábios da antiga Grécia e honestos da Lapônia. A cegueira partidária e o nanismo político têm impedido que a memória esquerdista ressuscite a ligação de Olívio Dutra, o Stalin de Bossoróca, com bicheiros do Rio Grande do Sul. Só falta a sanha rouge voltar a defender a tese de que o fim justifica os meios. Resumindo, o machismo gaúcho precisa se acostumar com a idéia de que o poder também usa saias.

Presa fácil
A situação de Valdemar Costa Neto, o Boy, de volta à Câmara Federal pelo PL, parece se complicar cada vez mais. Após renunciar ao mandato para preservar os direitos políticos, o mensaleiro Costa Neto continua na alça de mira de Roberto Jefferson, deputado cassado e ainda presidente nacional do PTB. Jefferson quer por que quer tirar o adversário da cena política em muito pouco tempo. E só espera o fim do segundo turno para colocar a artilharia em campo. Por outro lado, o ex-aliado do Palácio do Planalto na sandice chamada mensalão já não é bem visto pela turma palaciana. Para atrair o nanico PSC, o que livraria o PL da cláusula de barreira, Costa Neto prometeu cargos em um eventual segundo mandato de Lula. A turma palaciana, já cheia de problemas, torceu o nariz ao saber do assunto.

Agulha e dedal
Na recente degola promovida por Aldo Rebelo, na Câmara dos Deputados, que ejetou centenas de ocupantes dos chamados Cargos de Natureza Especial, não se sabe, ainda, se um famoso alfaiate de Brasília, que já perambulou por vários gabinetes como “aspone”, embarcou no trem da tristeza. Caso ainda permaneça na sombra do mandato de algum parlamentar, embolsando um pouco do dinheiro do contribuinte, o alfaiate deve em breve perder a fama. Até porque, o deputado-costureiro Clodovil Hernandes, eleito em 1º de outubro, disse achar uma cafonice os ternos que muitos parlamentares envergam nos corredores do Congresso.

Na mosca
O que a grande imprensa passou a noticiar somente agora, os leitores da coluna, como sempre, souberam com antecipação e exclusividade. Ex-chefe da Casa Civil e deputado federal cassado, José Dirceu de Oliveira e Silva é o mais novo homem de confiança de Carlos Slim, o empresário mexicano que, entre tantos negócios, comanda a empresa de telefonia celular Claro. Para quem já pensou em transformar Brasília na Sierra Maestra tupiniquim, defender interesses capitalistas de tal monta deve estar obrigando Ernesto “Che” Guevara a se contorcer na tumba. (Foto: AFP)

Panos quentes
As investigações sobre o acidente com o Boeing 737-800 da Gol voltam a ser rodeadas pela dicotomia das autoridades. Na última sexta-feira, após reverem os discursos que tomaram conta da semana, autoridades disseram que era prematuro acusar os pilotos do Legacy pelo acidente que causou a morte de cento e cinqüenta e quatro pessoas. Por outro lado, já no sábado, a Aeronáutica foi categórica ao afirmar que os culpados pelo acidente são os pilotos da americana Excel Aire. Ora, se qualquer conclusão sobre o assunto depende da análise da caixa preta do Boeing, cuja principal peça ainda não foi encontrada, como é possível condenar por antecipação? Porém, é preciso lembrar que a uma emissora de televisão o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, declarou que no domingo, 1º de outubro, o brasileiro foi às urnas sob a forte emoção causada pelo mais trágico acidente da história da aviação brasileira. Ou seja, a verdade sobre o acidente não interessa a muita gente. (Foto: airliners.net-Weimeng)

Coisa de doido
A mais nova e bizarra informação sobre o acidente aéreo ocorrido na Serra do Cachimbo surgiu neste domingo. A equipe que se encontra na cerrada mata ao norte de Mato Grosso teria encontrado, no colo do co-piloto da aeronave, o plano de vôo do Boeing 737-800 que fazia rota Manaus-Brasília-Rio de Janeiro. Beira a sandice imaginar que um Boeing, cujo peso ultrapassa cem toneladas, cai de bico e um pedaço de papel contendo o plano de vôo é encontrado intacto. A informação foi divulgada depois que o ministro da Defesa, Valdir Pires, visitou o local. O editor da coluna discute o assunto com tranqüilidade e conhecimento de causa, pois sofreu o mesmo drama que os familiares das vítimas do vôo 1907 estão sofrendo. Em outras palavras, é mais uma história muito mal contada.

Cardápio indigesto
Pensando bem, o maior avanço na agricultura desde o início do governo Lula foi a descoberta de um novo tipo de chuchu: o com pimenta.

Forno a lenha
(07/10/05) - A lógica do raciocínio diz que o PT e o PFL são inimigos figadais, certo? Errado. Um acordo entre os dois partidos evitou que a Comissão de Sindicância da Câmara continuasse investigando os deputados Rodrigo Maia (PFL-RJ) e Paulo Pimenta (PT-RS). Maia divulgou uma lista com nomes de parlamentares petistas que teriam se beneficiado com o mensalão, enquanto Pimenta foi flagrado no carro de Marcos Valério, na calada da noite, enquanto conversavam no estacionamento do Senado. Ou seja, na mais recente pizza, o PT entrou com a massa e o PFL com o recheio. Que vergonha!

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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