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ano 6 - número 1217

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Não tenho um caminho novo. O que eu tenho de novo é um jeito de caminhar."
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Thiago de Melo

   
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Sob medida
Tirante a divulgação das fotos do dinheiro apreendido pela Polícia Federal com integrantes do Partido dos Trabalhadores, as investigações sobre o caso do Dossiê Cuiabá estão saindo na medida da necessidade do Palácio do Planalto. Ontem, a PF informou que está encontrando dificuldades para identificar a origem do dinheiro que seria utilizado para comprar um conjunto de documentos contra candidatos do PSDB, principalmente o agora governador eleito José Serra. Agora, a PF espera a colaboração dos acusados para tentar elucidar o caso. Trata-se de mais uma manobra palaciana para evitar a verdade, a qual, se revelada, compromete de sobremaneira a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. Isso tira do candidato petista qualquer possibilidade de falar sobre ética com quem quer que seja.

Tio Patinhas
A origem do dinheiro do dossiê pode estar muito próxima do esclarecimento. O que se comenta nos bastidores do poder, em especial nos corredores secundários do PT, é que o verdadeiro dono do dinheiro seria um aliado do partido, que estaria pressionando o Palácio do Planalto para manter seu nome em absoluto e sepulcral sigilo. Político de longa data e mergulhado no esquecimento do eleitor, o novo personagem que poderá surgir no imbróglio do dossiê, nos próximos dias, estaria abusando nas pressões que faz diariamente. A alegação da milionária alma caridosa que se envolveu na confusão petista é que seu partido, que ainda não digeriu a fritura de um correligionário envolvido com a máfia das ambulâncias, pode mandar tudo pelos ares. E se o caso do dinheiro do dossiê vier à tona, um possível segundo mandato do presidente Lula não vinga.

Lente da verdade
Se no primeiro turno da corrida presidencial o candidato Lula não arrancou suspiros do eleitorado paulista, depois da eleição de Clodovil Hernandes à Câmara dos Deputados o problema deve aumentar. Perguntado sobre a disputa em segundo turno para a Presidência da República, Clodovil disparou sua metralhadora verborrágica na direção do presidente Lula. “As pessoas estavam malucas (referência à eleição de Lula), e o PT não é partido político, é uma seita. Não estou falando mal do presidente, mas de uma pessoa que não tinha capacidade nenhuma para exercer essa pretensiosa ocupação, o máximo de representação na hierarquia do País, que é o cargo de presidente da República. Só tinha que dar no que deu”, declarou o deputado eleito por São Paulo com quase 494 mil votos. (Foto: ofuxico.com.br)

Tudo combinado
Pode até parecer coincidência, mas não é. O filme “Entreatos”, do cineasta João Moreira Salles, será lançado no mercado somente depois do segundo turno da eleição presidencial. O filme, que traz os bastidores da campanha presidencial petista de 2002, tem cenas que comprometem a tentativa de Luiz Inácio da Silva, o presidente Lula, de conquistar seu segundo mandato. O “Entreatos” foi publicado anonimamente na página eletrônica Youtube, mas retirado tempos depois a pedido do autor. Acontece que cópias piratas do filme já circulam nas coxias da oposição.

Pela culatra
A ida de Geraldo Alckmin para o segundo turno proporcionou alegrias ao tucanato, ao mesmo tempo em que produziu um derrotado inconteste. Presidente nacional do PSDB, o senador Tasso Jereissati, uma espécie de ACM cearense – está no poder há exatos vinte anos – é o grande derrotado das eleições do último domingo, no Ceará. Depois de abandonar o governador tucano Lúcio Alcântara, para apoiar Cid Gomes, irmão de Ciro Gomes, o senador cearense deu um tiro no pé. Eleito governador, Cid Gomes não se submeterá às ordens de Jereissati. Já Ciro Gomes, que contou com o apoio do amigo-senador, já desembarcou na campanha de Lula. E o governador Lúcio Alcântara, desafeto de Tasso, anunciou apoio incondicional a Geraldo Alckmin. Resumindo, mataram um coelho só com dois tiros.

Par ou ímpar?
O mundo evangélico do Rio de Janeiro está literalmente dividido, pelo menos em termos políticos. Enquanto o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), derrotado na corrida ao palácio Guanabara, acertava seu apoio ao presidente Lula, em Brasília, o casal Garotinho – leia-se Rosângela e Anthony – formalizavam em São Paulo seu apoio ao tucano Geraldo Alckmin. Crivella e garotinho são dois conhecidos expoentes da religião evangélica, o que vai rachar o eleitorado da fé. Garotinho, que tem programas no rádio e na televisão, pode ser a diferença que Geraldo Alckmin precisava na terra do Cristo Redentor.

Mal contado
A investigação sobre o acidente com o Boeing 737-800 da Gol, ocorrido na última sexta-feira, 29 de setembro, causa, cada vez mais, estranheza e preocupação. Desencontradas, as informações estão sendo divulgadas para confundir a opinião pública, enquanto, nos bastidores, especialistas em aviação começam a revelar as causas do acidente. Consultados pela coluna, pilotos experientes foram unânimes em afirmar que na região do acidente normalmente as aeronaves perdem contato com as torres de controle de tráfego aéreo, o que é chamado de “buraco negro”. Um dos pilotos confirmou ao ucho.info que o Legacy, que partiu de São José dos Campos com destino a Manaus, era monitorado pelo controle aéreo de Brasília, que autorizou o vôo na altitude de 37 mil pés. O Boeing da Gol, que partiu de Manaus com destino a Brasília, era monitorado pelo controle aéreo da capital amazonense, que também autorizou o vôo na mesma altitude do Legacy.

Teatro oficial
Imaginar que pilotos experientes, como os do Boeing e do Legacy, teriam cometido a irresponsabilidade de desligar equipamentos de segurança é um ato de perturbação mental. O Boeing desintegrou na queda, pois os corpos das vítimas caíram a uma considerável distância dos destroços do avião. Por outro lado, por mais que o piloto do Boeing 737-800 tenha esvaziado os tanques durante a queda, o pouco de combustível que restou seria suficiente para uma explosão de pequena proporção. E no local do acidente não foram encontrados vestígios de incêndio. Considerando que cresce a tese da falha humana, acusar os pilotos da Gol pelo acidente causaria um enorme prejuízo à empresa aérea brasileira e, principalmente, à Boeing, que em quarenta anos de atividade já vendeu mais de seis mil aviões.

Pagando o pato
Transferir a culpa para os controladores de vôo seria o mesmo que o governo federal passasse um recibo de responsabilidade pelo acidente. Assim, restaram apenas os dois pilotos americanos, que podem ser crucificados para esconder a verdade dos fatos. Um dos pilotos consultados pela coluna afirmou que os passageiros podem não ter sentido o impacto do avião no solo, pois durante uma queda a despressurização da cabine deve ser imediata. Caso o piloto do Boeing não adotou tal procedimento, os passageiros entraram em estado de inconsciência por conta da pressão excessiva da cabine, o que teria levado à desintegração da aeronave. É preciso lembrar que o acidente aconteceu menos de quarenta e oito horas antes das eleições, e tudo o que uma campanha presidencial não precisa é de um acidente aéreo de grandes proporções.

Ponto final
Depois de anos de disputas judiciais, a briga entre o empresário Luiz Roberto Demarco Almeida e seu ex-sócio, o banqueiro opportunista “Tantas” (a Justiça ainda nos impede de citar seu nome), chegou ao fim, pelo menos no âmbito das indenizações. A Corte Suprema do Reino Unido, instância máxima da Justiça das Ilhas Cayman, entendeu como sendo procedentes as alegações de Luiz Roberto Demarco. Definitiva, a sentença do Prive Council não permite recursos, restando apenas calcular o valor da indenização a ser paga pelo banqueiro “Tantas”. O advogado Marcelo Elias, que defende os interesses do empresário Demarco Almeida, informou à coluna, por telefone, que o banqueiro depositou em juízo, na Justiça de Cayman, US$ 15 milhões – US$ 5 milhões em dinheiro e US$ 10 milhões em ações. Resumindo, pode ser o começo do fim.

Fogo amigo
Na polêmica causada pelas pesquisas eleitorais, que traduziram de maneira equivocada a vontade do eleitor brasileiro, um instituto de pesquisa acertou com antecedência o resultado da eleição para o governo do Rio Grande do Sul. O instituto Methodus, que nos últimos anos tem apresentado índices de acerto próximos dos 100%, previu o crescimento da candidata tucana Yeda Crusius, dois dias antes das eleições. Porém, seria impossível detectar um movimento do eleitorado peemedebista, que tentou evitar a disputa, em segundo turno, entre Germano Rigotto e Yeda Crusius, votando no candidato petista. E os eleitores do PMDB, que acabaram votando além do limite em Olívio Dutra, proporcionaram a derrota de Rigotto. A coluna obteve a informação de duas fontes distintas, sendo que uma delas muito próxima ao governador gaúcho. Tal fonte revelou ao ucho.info que muitos dos pedidos de voto em Olívio Dutra partiram de dentro Palácio Piratini, sede do Executivo gaúcho. (Foto: Uol)

Ócio remunerado
Com a ressaca eleitoral ainda dominando o cenário político, a Câmara dos Deputados viveu nesta terça-feira mais um dia de cidade fantasma. Com pouquíssimos parlamentares na Casa, a Câmara praticamente não funcionou. No primeiro lugar da lista de votações está a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, que merece urgência. Não havendo sessão ordinária nos próximos dias, a citada Lei perderá a vez, por conta de dezessete Medidas Provisórias que nos próximos dias já estarão trancando a pauta. Mas você, meu caro leitor, não deve se preocupar com as centenas de parlamentares ausentes, pois todos estão recebendo religiosamente seus gordos salários. Mesmo não dando as caras em Brasília.

Armadilha nova
Ter renunciado para não perder os direitos políticos, não garante a Valdemar Costa Neto a certeza de que seu novo mandato como deputado federal será cumprido integralmente. Costa Neto, que ainda preside o partido Liberal, corre o sério risco de ser cassado, por conta de seu envolvimento no escândalo do mensalão. Além disso, Valdemar Costa Neto, o Boy, foi denunciado pelo Ministério Público Eleitoral, nesta terça-feira, por compra de votos. Resumindo, se não tropeçar na primeira hipótese, cai na segunda.

Promessa é dívida
Fenômeno de votos na terra de chimangos e maragatos, a agora deputada federal eleita e musa estudantil Manuela D’Ávila, que conquistou 271.939 votos no último domingo, foi o assunto desta terça-feira na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a UFRGS. Em uma lanchonete da universidade gaúcha, estudantes comentavam, indignados, que como vereadora em Porto Alegre a bela Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) pouco fez em prol dos universitários, mesmo sendo esta sua plataforma política. Considerando que a maledicência estudantil local garante que Manuela D’Ávila ficou muito conhecida por freqüentar festas raves e baladas, resta concluir que já não se faz comunista como antigamente. (Foto: Divulgação)

Marido traído
Pensando bem para evitar que o presidente alegue desconhecimento, é bom avisá-lo que vai ter segundo turno.

Cara na porta
(04/10/05) - Há meses, quando o escândalo do mensalão ainda não havia eclodido, o Palácio do Planalto, numa mostra que seus ocupantes são despreparados, achou por bem rotular a China como um país com economia de mercado, o que contrariou, como de fato ainda contraria, qualquer teoria econômica responsável. Na última semana, depois de um périplo pela terra da mais extensa muralha da terra, o ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) regressou ao Brasil com as mãos abanando. Dias antes do fiasco, o próprio Furlan declarara que com os chineses estava 99% certo. Em outras palavras, os chineses mostraram que a economia local é muito mais de mercado do que muitos brasileiros imaginavam.

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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