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ano 6 - número 1216

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Imoralidade é a moral de quem passa melhor do que a gente."
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Maluco-beleza
“La fuerza del pueblo”. Assim o presidente Lula abriu a entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira, como se falasse para os comandados de Hugo Chávez ou Fidel Castro. Em seguida, o candidato petista fez questão de “dar os parabéns ao processo de apuração”, quando, na verdade, deveria dar os parabéns pelo processo. Tirante o tropeço gramatical, Lula causa preocupação ao defender um sistema eleitoral que carrega fraudes já comprovadas. Mais adiante, o presidente-candidato disse que as fotos do dinheiro apreendido pela Polícia Federal, que seria usado para a compra do Dossiê Cuiabá, poderiam ser divulgadas logo no primeiro dia. É mais uma falácia discursiva do presidente Lula, que tenta passar à opinião pública a imagem de marido traído. A divulgação das fotos não só foi proibida pelo Palácio do Planalto, como o PT tentou impedi-la recorrendo ao TSE. Ou seja, Lula falta com a verdade quando trata do escândalo do dossiê. (Foto: radiometropole.com.br)

Amadorismo político
A estratégia adotada pelo PT para o segundo turno da corrida presidencial é tão ridícula quanto ineficaz. Na entrevista coletiva que concedeu na tarde desta segunda-feira, no Palácio da Alvorada, o candidato Luiz Inácio Lula fez questão de destacar a derrota do PFL na Bahia e em Sergipe, estados que serão governados pelos petistas Jaques Wagner e Marcelo Déda, respectivamente. Ou seja, a estratégia petista é usar o PFL contra o candidato tucano Geraldo Alckmin. No programa Roda Viva, da TV Cultura, o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP), ao rebater as declarações do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), lembrou o envolvimento de Antonio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda no escândalo do painel do Senado. Não se trata de minimizar a responsabilidade de ACM e Arruda, que deveria estar fora da política há muito tempo, mas enfrentar o PT como paladino da moralidade é demais. (Foto: aboutbrasilia.com)

Pela culatra
Na esperança de conquistar mais votos no segundo turno, o presidente Lula declarou, nesta segunda-feira, que subirá no palanque do senador Sérgio Cabral (PMDB), que irá decidir com a deputada Denise Frossard (PPS) o direito de governar o Rio de Janeiro a partir de 2007. Lula, que nos últimos dias tem falado muito em tiro no pé, pode repetir a dose, pois não há nada mais resistente ao presidente Lula do que o PT fluminense. Nessa torça cruzada de apoio é preciso resgatar dados da campanha de 2002 e compará-los com os atuais. Na eleição anterior, que o levou ao Palácio do Planalto, Lula conseguiu 72% dos votos dos eleitores do Rio de Janeiro. Agora, no primeiro das eleições, Lula conseguiu 49% dos votos dos eleitores fluminenses. Em suma, é difícil saber quem sai perdendo com o tal apoio.

Sem saída
Muito mais que uma derrota eleitoral, Aloízio Mercadante começou a semana administrando algo que jamais imaginou enfrentar: a derrota política. Eleito senador em 2002, pelo PT, com pouco mais de 10,5 milhões de votos, Aloízio Mercadante não repetiu nas urnas a performance da eleição anterior. Candidato ao governo de São Paulo, o senador petista, que nesta eleição conquistou 6,77 milhões de votos, foi derrotado pelo tucano José Serra. A derrota de Mercadante tem uma leitura política que precisa ser destacada. Depois de ser eleito senador, Mercadante passou quatro anos no Senado e exposto à mídia, e mesmo assim naufragou nas urnas com menos votos que em 2002. Ou seja, a aprovação do governo Lula não é tão grande quanto anuncia o Planalto.

Inferno astral
A situação política de Aloízio Mercadante piorou, e muito, nas últimas horas. A Polícia Federal deve intimá-lo para depor no escândalo do dossiê, enquanto o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) quer ver o senador petista se explicando na CPI das Sanguessugas. Para piorar, o presidente Lula, que não acredita na inocência do companheiro, já descartou a possibilidade de contemplar Mercadante com um ministério, em um eventual segundo mandato. Em outras palavras, Aloízio Mercadante só continua sendo rei no Parque dos Príncipes, bairro da zona oeste da capital paulista.

Fio trocado
As eleições do último domingo mostraram que uma inversão de valores tomou conta do país. Réu confesso no escândalo do mensalão, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), que presidiu a Câmara dos Deputados, foi reeleito para um novo mandato a partir de 2007, com 117.056 votos. No contraponto, o deputado Cezar Schirmer (PMDB-RS), relator do processo de quebra de decoro parlamentar do petista, com 74.691 votos não foi reeleito. Político de trajetória exemplar. Schirmer foi responsável pela confecção de um relatório que foi considerado pela maioria dos parlamentares como um instrumento jurídico perfeito.

Injustiça feita
Outra injustiça cometida nas urnas foi a não reeleição do deputado Jairo Carneiro, peefelista da Bahia. Relator do processo contra o deputado-mensaleiro José Janene, concluído e aprovado pelo Conselho de Ética da Câmara, Carneiro, que recebeu o voto de 69.733 eleitores baianos, volta para a Bahia logo no primeiro dia de 2007. Já o deputado Janene, que desde o segundo semestre de 2005 não aparece na Câmara com medo da cassação, atuou politicamente no Paraná durante o período eleitoral deste ano. Sem concorrer à reeleição por falta de legenda, Janene teria mergulhado de corpo, alma e bolso na campanha do petista André Vargas, o presidente do PT paranaense que foi eleito deputado federal.

Perdendo o juízo
Muito antes do fim da apuração das urnas, o PT já pensava em um nome para presidir a Câmara dos Deputados. A primeira idéia que surgiu foi manter Aldo Rebelo no posto – o parlamentar paulista foi reeleito com 169.621 votos – mas o tropeço do PC do B na cláusula de barreira interrompeu o projeto petista. A segunda opção foi reconduzir o deputado João Paulo Cunha à presidência da Câmara, mas a idéia foi prontamente descartada, uma vez que o petista se envolveu de maneira escandalosa no mensalão. Então, como o PMDB será, a partir de janeiro, o maior partido da Câmara, surgiu a possibilidade de entregar a cadeira presidencial da Casa para o deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE), que já esteve à frente do Ministério das Comunicações. Socorro!

Prato predileto
Enquanto administrava a ressaca eleitoral do último domingo, o governador licenciado do Paraná, Roberto Requião, que vai disputar o direito de continuar como inquilino do Palácio Iguaçu com o senador Osmar Dias (PDT-PR), teve de enfrentar a criatividade do paranaense. Circulou nesta segunda-feira, em todos os cantos do estado, que Requião pode até não conhecer mamona, mas adora canjica. E há quem diga, sem medo de errar, que canjica o governador come sem cerimônia alguma, de preferência ao embalo de tangos.

Face lenhosa
Para concorrer à reeleição, Roberto Requião se licenciou do cargo do governador, mas continuou dando ordens a partir do comitê de campanha. O que está muito mal explicado é o fato de alguém licenciado do cargo continuar desfrutando de mordomias financiadas com o dinheiro público. Requião deixou de freqüentar o Palácio Iguaçu, mas continua morando na Granja do Canguiri, residência oficial que serviu para receber o araponga Délcio Razera. Algum paranaense ousado deveria cobrar judicialmente de Requião o aluguel da Granja do Canguiri durante o período de campanha. (Foto: Wikipedia)

Acabou a farra
Exceto a reeleição do deputado federal ACM Neto (PFL-BA), o “carlismo” – corrente política que tem o senador Antonio Carlos Magalhães como timoneiro – deu mostras que pode estar chegando ao fim. O senador ACM, coronel na terra de Todos os Santos, passou o domingo assistindo à derrota de suas criaturas políticas. O peefelista Paulo Souto, que nas pesquisas aparecia na dianteira, perdeu a disputa para o governo da Bahia para o petista Jaques Wagner. O também peefelista Rodolfo Tourinho saiu derrotado das urnas, perdendo a corrida eleitoral ao Senado para o candidato do PDT baiano, João Durval. A exemplo do que prega a sabedoria popular, antes tarde do que nunca.

Engana, o povo gosta!
Os erros escandalosos cometidos pelos institutos de pesquisa nas previsões eleitorais, inclusive nas pesquisas de boca de urna, mostraram que nem sempre os números são confiáveis. Os institutos justificaram os erros alegando que a culpa é dos eleitores, que no último momento mudaram de opinião. Beira a galhofa querer transferir ao eleitorado a culpa pelo fiasco estatístico, quando se sabe que o erro das pesquisas ocorre porque os institutos informam previamente aos contratantes – partidos políticos ou não – o local da coleta de dados. E quem milita na seara político-eleitoral sabe que todos os partidos, sem exceção, derramam sua militância nos locais de pesquisa. Enfim, tentaram enganar e não conseguiram.

Barrado no baile
Se por um lado as urnas contemplaram alguns neófitos da política, por outro barrou figuras conhecidas no mundo parlamentar. Em São Paulo, a maior das surpresas foi a não reeleição do deputado Delfim Netto, que em termos eleitorais errou ao trocar o PP pelo PMDB. Estivesse ainda no PP, os votos excedentes de Paulo Maluf e Celso Russomanno o teriam levado de volta à Brasília. Ainda em São Paulo, as urnas decidiram atacar no âmbito familiar. Senador pelo PFL paulista, o xerife Romeu Tuma não conseguiu reeleger os dois filhos, Robson Tuma e Romeu Tuma Jr., candidatos a deputado federal e deputado estadual, respectivamente.

Vira-casaca
A cláusula de barreira, aprovada há onze anos e que será aplicada aos resultados desta eleição, impingirá a vários partidos o chamado nanismo político dentro do Congresso. Considerando que parlamentares conhecidos não se contentarão com uma atuação política de segunda classe, o eleitor pode se preparar para uma enxurrada de trocas partidárias, que podem levar alguns partidos à extinção. Troca partidária, principalmente após uma eleição, deveria ser considerada estelionato eleitoral.

Gestação política
Pensando bem, com o avanço da tecnologia, as urnas eleitorais podem estar sofrendo de prenhez eletrônica.

Vale tudo
(03/10/05) - Quem acha que as doações politiqueiras do presidente Luiz Inácio não passam de uma estratégia mambembe de se fazer líder de um continente dominado pelo caos social, engana-se. Há dias, o governo do presidente Luiz Inácio conseguiu aprovar a doação de aeronaves militares brasileiras para o Equador, que serão incorporadas à Força Aérea daquele país. Trata-se de um projeto de unificação militar do continente, que, diga-se de passagem, tem exibido uma certa tendência ao esquerdismo festivo e irresponsável. A começar pelo populista Hugo Chávez, que não só suga do Brasil o que bem entende, como vem a Brasília para disparar desfeitas contra tudo e todos. E mais: o desarmamento da população brasileira, aliado à militarização unificada do continente sul-americano, faz parte de um projeto de perpetuação das esquerdas no poder, pois Bolívia e Paraguai também já foram contemplados com aeronaves brasileiras.

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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