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ano 6 - número 1215

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"A fidelidade é uma virtude que enobrece a própria servidão."
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Barbosa Lima Sobrinho

   
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Segundo round
Geraldo Alckmin chegou ao segundo turno não só pela repentina competência de sua equipe de campanha, mas principalmente pela incompetência do PT palaciano, que embriagado com sensação de impunidade enveredou pelo escândalo do dossiê. A ausência de Lula no último debate entre os presidenciáveis e a divulgação das fotos da dinheirama que seria usada para comprar o Dossiê Cuiabá foram suficientes para fazer com que os petistas começassem a semana com ressaca eleitoral. De agora em diante, baixaria política pouco resolverá em termos de garantia de votos. Ou os candidatos partem para propostas concretas para um país que continua patinando no sonho de ser uma nova potência, ou o último que sair que apague a luz.

Radiografia antecipada
A derrota e os números que o candidato Aloízio Mercadante adquiriu nas urnas, neste domingo, mostram o que pode acontecer no segundo turno da eleição presidencial. A rejeição que o PT tem em São Paulo, turbinada nos últimos anos, podem levar o presidente Lula a fazer as malas antes do esperado. Apenas para lembrar, em 2002, quando ocupou o sofá do humorista e apresentador Jô Soares na condição de senador mais votado da história, Aloízio Mercadante trazia na bagagem 10,5 milhões de votos. Os 6,77 milhões de votos que teve na eleição para governador são um diagnóstico nada bom.

Que vergonha!
Se a chegada de Geraldo Alckmin ao segundo turno traz ao PSDB uma dose extra e necessária de vigor oposicionista, o fiasco eleitoral do senador Arthur Virgílio deixa uma marca incontestável no ninho tucano. Durante a crise do mensalão e outras tantas que assolaram o Palácio do Planalto, o senador amazonense ocupou a tribuna do Senado para dizer que, se fosse necessário, agrediria fisicamente o presidente Lula, o que mostra que alguns políticos desconhecem o significado de oposição republicana. Candidato ao governo do Amazonas, Arthur Virgílio chegou em terceiro lugar, com irrisórios 74.869 votos (5,51% dos votos validos), o que não o credencia nem mesmo para bater no cachorro da esquina.

Moral de sobra
Desde o início da campanha, a senadora Heloísa Helena (PSOL) sabia que conquistar a Presidência da República seria extremamente difícil, mas obrigações partidárias obrigaram-na a entrar na disputa. Evitar que o recém-criado PSOL tropeçasse na chamada cláusula de barreira era um de seus objetivos. Porém, a senadora alagoana sai da corrida presidencial com um cacife político muito maior do que o esperado. Conquistar 6.574.959 votos, ou seja, 6,85% de um eleitorado de quase 126 milhões de eleitores, não é tarefa para incompetente. E Heloísa Helena terá, de agora em diante, moral e direito de repreender quem bem entender.

Imbróglio futuro
A vitória de José Serra, em São Paulo, e de Aécio Neves, em Minas Gerais, pode ser um prenúncio de sérios problemas para os tucanos nos próximos quatro anos. Caso o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, seja eleito presidente, o tucanato terá, a partir de janeiro de 2007, três potenciais candidatos à Presidência da República para 2010. Até porque, Serra e Aécio foram eleitos com uma votação expressiva para comandar duas importantes unidades da federação, e Alckmin certamente não se contentará com apenas um mandato. É esperar para ver, porque o Palácio do Planalto está na alça de mira dos três.

Pilha fraca
O carisma político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como transferidor de votos já não é o mesmo. A derrota de alguns candidatos do PT que disputavam cargos e majoritários mostra que poder de persuasão do presidente está em queda, da mesma maneira o eleitor ainda não vota em legendas, mas em pessoas. Aloízio Mercadante, Flávio Arns e José Fritsch, candidatos ao governo de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, respectivamente, foram derrotados. A decadência política que os recentes casos de corrupção causaram no partido do presidente pode ser conferida nos números da campanha de Eduardo Suplicy, reeleito para o Senado. Com 8.986.803 votos, Eduardo Suplicy foi seguido de perto pelo candidato a senador pela coligação PSDB-PFL, Guilherme Afif, que arrancou das urnas paulistas 8.212.177 votos. Quem melhor representaria o maior estado do país no Senado é difícil afirmar, mas Suplicy não está com tanto cacife eleitoral quanto imaginava, mesmo com os números que garantiram sua reeleição. (Foto: clubemundo.com.br)

Clima de festa
Se por um lado corruptos confessos foram contemplados pelas urnas, por outro as eleições deste domingo mostraram que coerência e conduta implacável é uma receita de sucesso. Integrantes da já encerrada CPI Mista dos Correios, os deputados Gustavo Fruet (PSDB-PR) e Osmar Serraglio (PMDB-PR) conquistaram nas urnas o direito de permanecer em Brasília por mais quatro anos. Fruet, que se destacou durante os trabalhos da CPI, foi o candidato à Câmara Federal mais votado no Paraná, com 210.674 votos, o que representa 3,94% dos votos válidos. Já o deputado Osmar Serraglio, relator da CPI dos Correios, foi reeleito com 149.673 votos, o que lhe rendeu o quinto lugar na lista dos mais votados. No contraponto, o senador Delcídio Amaral (PT), que presidi a polêmica CPI, perdeu a eleição para o governo do Mato Grosso do Sul para o médico e italiano naturalizado brasileiro André Pucinelli (PMDB). Mais: a boa votação de Osmar Serraglio o credencia para sonhar com a liderança do PMDB na Câmara dos Deputados.

Abrindo as contas
Tendo conquistado a fama por via transversa, o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, que quebrou o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, o Nildo, foi eleito à Câmara dos Deputados, o que mostra que a sociedade e a militância partidária sofre de cegueira moral. Palocci, que instalou seu comitê de campanha em uma das mais nobres e caras regiões da capital paulista, agora deve duas explicações ao povo brasileiro. A primeira versa sobre as razões da quebra do sigilo do caseiro. A segunda, mais complexa, é provar a origem do dinheiro que financiou uma campanha milionária. Enfim, como dinheiro no PT parece não ser problema, mas solução...

Memória curta
Deputado federal pelo PFL, José Roberto Arruda, de acordo com pesquisas de boca de urna, será eleito governador do Distrito Federal com mais da metade dos votos válidos. Quem de fato surpreendeu nas eleições do DF foi a candidata do PT, Arlete Sampaio, que, segundo as pesquisas, deve conquistar pouco mais de 20% dos votos válidos. Porém, a eleição ainda não confirmada de José Roberto Arruda, que tem como vice o senador-empresário Paulo Octávio (PFL), mostra que o eleitor já esqueceu o escândalo do painel do Senado, ocorrido há cinco anos.

O Rio agradece
Depois de muita briga na Justiça para manter sua candidatura, o presidente do Vasco da Gama e ex-deputado federal Eurico Miranda foi barrado pelas urnas, para sorte do povo do Rio de Janeiro. Tendo conseguido 30.531 votos, Eurico Miranda, que será obrigado a se contentar com a paisagem de São Januário, não convenceu politicamente nem mesmo os torcedores do cruz-maltino. A quantidade de votos conquistados pelo cartola equivale ao público de uma partida de futebol realizada em um estádio de pequeno porte. E o Cristo Redentor falou mais alto.

Penas ao ar
A primeira entrevista do deputado eleito Clodovil Hernandez foi uma amostra do que deve ser sua atuação como parlamentar. Polêmico como sempre, Hernandez voltou a repetir que Brasília, após sua eleição, jamais será a mesma. À rádio Jovem Pan, a maior e mais importante do país, Clodovil retomou o seu velho e conhecido estilo, respondendo às perguntas com meias palavras. Nada, de agora em diante, invalida a eleição do ex-costureiro e ex-apresentador de televisão, que pode arrumar confusão em muito pouco tempo. Clodovil, na entrevista, disse que não irá concordar com ladrão. Entre imaginar que alguém seja larápio e conseguir provar há uma enorme distância e uma possibilidade de cassação. Enfim, o eleitor paulista decidiu assim.

Elle voltou!
Após longo período afastado do cenário político, o ex-presidente Fernando Collor de Mello, que renunciou em meio a uma enxurrada de acusações de corrupção, foi eleito, ontem, senador por Alagoas. Com 550.725 votos, Collor representará durante oito anos os interesses dos alagoanos no Senado Federal. É fato que as urnas expressam a vontade popular, mas a eleição de Collor tirou da vida política um dos mais admirados parlamentares dos últimos tempos. José Thomaz Nonô, deputado federal por Alagoas e tribuno invejável, chegou em terceiro lugar na corrida ao Senado, com 120.656 votos. Perdeu Alagoas, perdeu o Brasil.

Justiça feita
Escorraçado da vida pública por conta de uma manobra jornalística da pior qualidade, o ex-deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) volta à casa legislativa que um dia comandou. Vereador na capital gaúcha, o peemedebista e colorado Ibsen Pinheiro foi eleito para a Câmara dos Deputados com 76.165 votos. Ibsen retorna ao mundo brasiliense da política trazendo não apenas a experiência como parlamentar, mas as marcas da traição e da leviandade que culminaram com sua cassação.

A última que morre
Se a eleição de alguns corruptos confessos causou indignação no eleitorado, o brasileiro ainda tem a esperança de se ver livre de alguns dos meninos de Ali Babá. A legislação prevê a suspensão da diplomação eleitoral no caso de ficar comprovado o uso de dinheiro advindo da corrupção em campanhas eleitorais. Situação que deve ter recheado algumas das milhares de campanhas invadiram o país nas últimas semanas. E que surja o primeiro denunciante.

Aquarela do Brasil
Pensando bem, os próximos dias serão marcados pela monocromia das tragédias. A caixa-preta do Boeing e a mala-preta do dossiê.

Saindo na frente
(03/10/05) - Com vinte meses de antecedência, a coluna trouxe aos seus leitores o que a revista Veja traz em sua última edição (nº 1925). As gravações telefônicas do caso Celso Daniel, em que o atual secretário da Presidência da República, Gilberto Carvalho, é flagrado falando de dinheiro e aconselhando a suposta viúva do ex-prefeito de Santo André a carregar com emoção suas entrevistas e aparições públicas. Para o juiz João Carlos da Rocha Mattos, preso sob a acusação de capitanear um esquema de venda de sentenças judiciais, Gilberto Carvalho é o elo de solução do crime que abalou as estruturas petistas. É bem verdade que Rocha Mattos não é nenhum querubim de asa fraturada, mas é preciso dar atenção às suas declarações, não sem antes ouvir as gravações telefônicas das conversas que, meses antes de ser preso, mantinha com o filho menor de idade. Clique e confira as gravações do caso Celso Daniel ou clique e entenda um pouco mais da personalidade de Rocha Mattos, ouvindo as conversas do juiz com o filho

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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