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ano 6 - número 1208

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
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Esqueceram de mim
No escândalo do dossiê, o Freudgate, muito se falou a respeito dos envolvidos no imbróglio petista-palaciano e suas respectivas demissões, mas ninguém se preocupou em levantar os gastos de Freud Godoy com o cartão de crédito corporativo da Presidência da República. Freud Godoy, considerado um dos pivôs do escândalo, tem sido inexplicavelmente poupado pelo presidente Lula, que preferiu rifar o deputado Ricardo Berzoini a atirar às feras da oposição o amigo-segurança. Tudo muito estranho, principalmente se considerados os fatos de que Freud Godoy age com liberdade desde os tempos de Celso Daniel, quando prefeito de Santo André.

Maior abandonado
Ainda com largas chances de continuar no cargo até 2010, Lula tem vivido na sua intimidade momentos de crise e nervosismo, muitas vezes emoldurados por destemperos verborrágicos com direito a palavrões. Já sem a presença constante dos colaboradores mais próximos, muitos dos quais ejetados do governo e do poder por conta de escândalos continuados, Lula tem apelado a amigos íntimos, alguns dos quais dos tempos de São Bernardo do Campo. A um deles, Lula, na última quinta-feira, desancou a reclamar da suposta traição e deu mostras de seu desespero com a possibilidade de ter de enfrentar um segundo turno. (Foto: radiometropole.com.br)

Para depois
A decisão de deixar a solução sobre o Freudgate para depois das eleições caiu como uma bomba no mundo político. Trata-se de uma escandalosa manobra do Palácio do Planalto na tentativa de jogar a sujeira para debaixo do tapete, enquanto o brasileiro se ocupa com as acirradas disputas eleitorais. Segundo apurou a coluna, o fatídico dossiê, cujas cópias já foram devidamente espalhadas por algumas superintendências da Polícia Federal, está dividindo a corporação. Enquanto alguns delegados e policiais cumprem as ordens advindas de Brasília, outros querem revelar a verdade imediatamente. A tese de que os dólares apreendidos pela PF podem estar sendo substituídos para dificultar o rastreamento do dinheiro começa a ganhar força dentro da corporação policial. Verdade ou não, o fato é que hoje, no Brasil, tudo é possível.

Falta do que fazer
Na última sexta-feira, a coordenação da campanha do presidente Lula no Paraná decidiu, na última sexta-feira, radicalizar com os descontentes com o governo do PT e contestar judicialmente um adesivo contra o candidato petista, considerado apócrifo. O material, que tomou circula pelo país colado em milhares de carros, traz o desenho de uma mão com apenas quatro dedos, cortada por uma faixa. A alegação dos assessores da campanha de Lula é que o tal adesivo é discriminatório. Identificar alguém por um defeito físico é uma aberração, mas a tese da discriminação tem que valer para os dois lados. Em 2002, na campanha presidencial, Lula, durante visita a Pelotas, disse a um correligionário que a cidade gaúcha era um pólo exportador de viados (clique e confira o vídeo). Por outro lado, Francenildo Costa, o Nildo, que levou à queda o ex-ministro Antonio Palocci, foi tratado como sendo um "simples caseiro". Então, presidente Lula, Vossa Excelência poderia explicar o que significa discriminação?

 

Parafuso solto
Talvez o único nome ainda de peso do governo Lula, o ministro Guido Mantega (Fazenda) acredita que um eventual segundo mandato do petista será confortável. É preciso lembrar que colocar em xeque o conhecimento de Mantega sobre Economia e suas reticências seria uma irresponsabilidade, mas algo de estranho existe entre a realidade e o pensamento do ministro. Caso vença a corrida presidencial, seja no primeiro ou no segundo turno, Lula terá uma enorme dificuldade de conduzir o país, pois a principais reformas – política, econômica e tributária – terão a resistência da oposição, que, passadas as eleições, começa a se preparar para 2010. Ou Mantega pouco entende de política, ou esconde o que pensa para dar uma força extra ao companheiro.

Pegando carona
A possibilidade de um segundo turno na eleição presidencial, que ronda e assusta os ocupantes do Palácio do Planalto, merece ser analisada com a devida isenção. O inesperado fôlego extra de Geraldo Alckmin não se deve a uma mudança de rumo na campanha ou à recente acidez de seus discursos, mas à incompetência declarada do próprio Partido dos Trabalhadores. Porém, estranho é o fato de muitos afirmarem repetidas vezes que a negociação do dossiê foi feita à revelia do presidente Lula e do próprio PT, quando se sabe que o partido só decide algum assunto, grave ou não, depois de várias e intensas reuniões. E nessa historieta em que alguém mente compulsivamente, o tucano Geraldo Alckmin ganha sobrevida.

Repetindo a dose
A arapongagem tupiniquim voltou com tudo. Pelo menos é o que vem acontecendo na Paulicéia Desvairada, onde espiões agem ao arrepio da lei. A mais nova contratação no submundo da bisbilhotagem tem como alvo o empresário Luiz Roberto Demarco Almeida, uma das vítimas do recente escândalo protagonizado pela americana Kroll, aqui no Brasil, que acabou resvalando em integrantes do governo federal como Luiz Gushiken e Cássio Casseb de Lima, ex-presidente do Banco do Brasil. Demarco, como se sabe, é considerado o inimigo número um do banqueiro “Tantas”, cujo nome a Justiça nos impede de citar, e Avner Shemesh, conhecido espião israelense que atua principalmente em São Paulo, pode ter sido chamado mais uma vez para operações opportunistas. Há meses, Shemesh, em outra operação encomendada pelo atual contratante, por pouco não caiu nas mãos da Polícia Federal, que agora acompanha a movimentação bem de perto. Ou seja, a semana promete.

Tudo de novo
Muitas das notícias aqui publicadas – verdadeiras, diga-se de passagem – têm levado à ira e ao descontrole uma minoria que acredita poder fazer do Brasil um feudo tão exclusivo quanto criminoso. Não é de hoje que ameaças contra o editor e sua família se transformaram em cardápio do cotidiano, porém, a mais recente delas, ocorrida na última semana, agora é alvo de investigações oficiais. Um descontente e desqualificado disse, a poucos e não tão bons assim, que o editor da coluna precisa morrer. Ressuscitar o coronelismo que no passado imperou no país é atitude de pessoas no mínimo cabotinas.

Visita inesperada
A disputa pela Brasil Telecom, empresa de telefonia com sede no Planalto Central, parece não ter fim. Enquanto o Citibank e os Fundos de Pensão reorganizam a companhia, que durante longo período esteve sob o comando do banqueiro “Tantas”, outros protagonistas do imbróglio assistem à distância o desenrolar da situação. Ex-presidente da Telecom Italia, o empresário Tronchetti Provera recebeu na última sexta-feira, em sua residência, o outrora mega-especulador e agora lobista Naji Nahas. Responsável por ter apresentado a Provera a bela e instigante Afef Jnifen, modelo nascida na Tunísia, Nahas pode ter levado sob os braços alguma proposta mirabolante tendo o mercado brasileiro de telefonia como objeto. Ou foi apenas uma visita de consolo para aquele que foi ejetado da presidência mundial da companhia italiana? (Foto: canalilibero.it)

Gardenal, o retorno
Agindo de maneira ditatorial, o governador do Paraná, Roberto Requião, vem tentando, sem muito sucesso, amordaçar alguns veículos de comunicação, dentre eles a Folha de São Paulo, um dos maiores jornais do país. A preocupação de Requião vem da possibilidade de jornalistas da Folha publicarem o conteúdo das conversas gravadas por Délcio Rasera, o araponga que atuava oficiosamente no Palácio Iguaçu, sede do executivo paranaense. Informações obtidas pela coluna dão conta que o conteúdo de algumas das inúmeras gravações é tão explosivo quanto comprometedor. Os interlocutores tratavam, com muita tranqüilidade e confiança, de licitações com cartas marcadas. E se as provas vierem à tona antes do próximo domingo, o próximo destino de Roberto Requião será a capital francesa.

A ditadura está de volta
Com a promessa de lavar a calçada da sede do Partido Liberal em Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo, Maria Christina Mendes Caldeira, que concorre a uma vaga na Câmara Federal, foi recebida na cidade paulista por policiais civis, todos simpatizantes (sic) do ex-marido da candidata pelo PV, Valdemar Costa Neto. Denunciado pela ex-mulher como integrante do esquema do mensalão, Costa Neto, que ainda preside o PL, arregimentou alguns brutamontes na tentativa de intimidar Mendes Caldeira, que nesta eleição deve lhe tomar boa quantidade de votos. Tão logo teve início o ato contra a corrupção, Maria Christina foi abordada por policiais civis e levada presa para a delegacia da cidade. Trata-se de uma truculência, pois é sabido que Costa Neto é uma espécie de coronel em decadência de Mogi das Cruzes. Para complicar a situação do presidente do PL, que sonha em voltar à Câmara depois de ter renunciado ao mandato, é que os carros de alguns policiais da operação ostentavam propaganda de Costa Neto. Agora só falta o contribuinte paulista madrugar para financiar segurança particular para mensaleiro pretensioso. Com a palavra o governador Claudio Lembo e o secretário da Segurança de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho.

Dinheiro pelo ladrão
Com excesso de visibilidade e chances reduzidas, a gaúcha Emília Fernandes, ex-ministra do governo Lula, tenta uma vaga na Câmara Federal pelo PT local. À frente de uma campanha que tem causado inveja a muitos políticos pelos excessos financeiros, Emília Fernandes tem chances reduzidíssimas de triunfar nas urnas. Professora no interior do Rio Grande e pouco conhecida politicamente, Emília Fernandes se elegeu senadora pelo PTB (à época apoiada pelo então radialista Sérgio Zambiasi, fenômeno de votos para Deputado Estadual), indo, em seguida, para o PDT, apenas para agradar o velho Leonel Brizola. Passado algum tempo, Emília Fernandes desembarcou no PT de Lula e José Dirceu. Na terra de ximangos e maragatos, onde reza a tradição de que político que troca de partido não se elege, a ex-ministra deve continuar em casa. Salvo algumas raríssimas exceções que, competentes, mudaram de partido e se reelegeram.

Direito de resposta
Nas edições de quinta e sexta-feira, mais precisamente na seção "Túnel do Tempo, que diariamente traz notícias de um ano atrás, republicamos notas sobre a prisão do editor da coluna, ocorrida a mando do senador Heráclito Fortes (PFL-PI), durante sessão da já encerrada CPI dos Bingos. Na ocasião, quando depunha o doleiro Antonio de Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, o senador piauiense, informado de que o editor estaria com documentos sobre o depoente do dia seguinte, decidiu pela determinação da prisão. Na última sexta-feira, a coluna recebeu e-mail da assessoria do senador Heráclito Fortes, o qual esclareceu os fatos, conforme mensagem publicada abaixo e na íntegra.

“Jamais me atribuí a prerrogativa de determinar o que um jornalista pensa ou escreve. Sempre defendi a liberdade de expressão. No caso, o trabalho de que se ocupava o editor da coluna não era jornalístico, mas de panfletagem de um material que, inclusive, trazia ofensas a parlamentares. Fui instado por um outro profissional, que lamentava o desvirtuamento do uso da credencial de jornalista para esse tipo de trabalho. Como membro da Mesa na ocasião, não poderia me omitir.” (Heráclito Fortes)

Ainda o senador Heráclito...
É preciso salientar que o editor da coluna, em momento algum, “panfletou”, como sugeriu o senador, mas apenas portava em sua pasta de trabalho documentos relativos a um dos convocados pela CPI. Não sem antes exercer o que manda o bom jornalismo, cabe-nos respeitar - sem perder o direito de algumas vezes discordar - os dogmas políticos e ideológicos do senador Heráclito Fortes, o qual teceu o seguinte comentário a respeito do trabalho que desenvolvemos neste espaço dedicado à verdade dos fatos, em mensagem enviada posteriormente por sua assessora, Letícia Almeida Borges.

“Agradeço a atenção. Até gostaria de aproveitar para registrar que temos (não é plural majestático, refiro-me a mim mesma e ao senador) achado algumas das análises que seu blog tem feito ultimamente da maior relevância e pertinência.”

Par ou ímpar?
Pensando bem, o presidente Lula precisa escolher, desde já, com qual Freud desafogará as mágoas de uma possível derrota. Com o do dossiê ou com o da psicanálise?

Engana, engana mais
(26/09/05) - Se, em tese, a democracia é o sistema de governo cujo poder emana do povo, na prática a coisa é bem diferente. Normalmente, às quintas-feiras, depois das três da tarde, raros são os parlamentares encontrados no Congresso Nacional, em Brasília. Por conta da eleição do novo presidente da Câmara, alguns deputados, absolutamente interessados em angariar votos, compareceram à Casa legislativa no último sábado. Mas você, dileto conterrâneo, não pense que os dedicados parlamentares interromperam o ócio sabático para defender os interesse do povo. Foram à Câmara para salvaguardar o status quo e garantir os próprios interesses. Ou será que alguém pensou que fosse diferente?

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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