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ano 6 - número 1206

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Uma vida não questionada não merece ser vivida."
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Platão

   
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Encontros de alcova
O escândalo do dossiê, também conhecido como Freudgate, deve proporcionar novos e emocionantes capítulos. Segurança e amigo pessoal do presidente Lula, Freud Godoy pode ser considerado um cidadão bem sucedido. Em Santo André, no ABC paulista, Freud é dono de dois apartamentos, avaliados em R$ 800 mil cada. Ainda na região que serviu de berço para o sindicalismo brasileiro, o ex-assessor do presidente Lula alugou um apartamento, muito utilizado pelo ex-prefeito Celso Daniel e pelo empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra (foto abaixo). E mais: a garçoniere pode ter sido utilizada pelos seqüestradores de Celso Daniel, que ao deixar um restaurante na capital paulista trajava uma determinada calça, e quando foi encontrado morto pela política estava com outra bem diferente.

Alma caridosa
Para colocar mais lenha na já acalorada fogueira em que se transformou o imbróglio do dossiê, um dos imóveis de Freud Godoy estava alugado para Klinger de Oliveira, ex-secretário municipal de Santo André e acusado de envolvimento no caso do assassinato de Celso Daniel. Para contestar as declarações do ministro Tarso Genro, que disse ser Freud Godoy um “comum” qualquer, o ex-assessor presidencial locou um de seus imóveis a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. Pela locação, fajuta, o Freud palaciano teria recebido de Lulinha a fortuna de R$ 10 mensais.

Sob a asa
Desde que o Freudgate ganhou as ruas, o presidente Lula tem afirmado, repetidas vezes, que considera abominável a produção de dossiês. Temendo que a verdade dos fatos viesse à tona, Lula preferiu detonar o coordenador de sua campanha à reeleição, deputado Ricardo Berzoini, que continua como presidente nacional do Partido dos Trabalhadores. O que beira a estranheza é o presidente Lula rifar Ricardo Berzoini, enquanto protege Freud Godoy. Ou Berzoini não vale o quanto pesa, ou Freud sabe bem mais do que muitos imaginam.

Olho da rua
Afastar Ricardo Berzoini e Hamilton Lacerda, coordenador-geral da campanha do presidente Lula e chefe de comunicação da campanha de Aloízio Mercadante, foi a única saída que os candidatos encontraram para evitar estragos maiores. Ambos, Lula e Mercadante, sabedores da origem do dinheiro utilizado pela quadrilha, temem que a verdade venha à tona, complicando ainda mais a situação. O estrago que o Freudgate provocou na campanha presidencial foi tão grande, que assessores e marqueteiros do presidente Lula já trabalham com a hipótese de um segundo turno. É preciso lembrar que tal hipótese em deixado o presidente Lula visivelmente nervoso e irritado.

Lei da mordaça
“O Brasil mudou. Hoje não é mais como naquele tempo em que se faziam imagens para se jogar na televisão e destruir candidaturas”. Com tal discurso, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, justificou a decisão de proibir a realização de imagens do dinheiro apreendido pela Polícia Federal – R$ 1,75 milhão – que seria utilizado para comprar o dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. Em sua declaração o ministro se referiu ao escândalo da Lunus, que detonu a campanha da senadora Roseana Sarney, que em 2002 sonhava em disputar a Presidência da República pelo PFL. E mais: revelar a origem do dinheiro apreendido com petistas para depois das eleições é um tapa na cara da sociedade. O que Thomaz Bastos fez, ao proibir a geração de imagens do dinheiro apreendido adiar a divulgação da origem do dinheiro, é um atentado à liberdade de imprensa.

Refém político
Mesmo com as maléficas e imprevisíveis reticências do Freudgate, as chances de reeleição do presidente Lula não são pequenas. Confirmado nas urnas o favoritismo que Lula tem arrancado nas pesquisas eleitorais, o Brasil viverá um longo período de ausência de governabilidade, pois os escândalos atuais servirão de combustível para a ira oposicionista. E se atualmente a sustentação do governo só é alcançada com o apoio do PMDB, imagine o presidente Lula refém durante quatro anos de Renan Calheiros e José Sarney. Socorro!

Engana, o povo gosta
Essa história de que o presidente Lula e o senador Aloízio Mercadante não sabiam das operações que desaguaram no Freudgate é balela discursiva da pior qualidade. Nenhum dos envolvidos, muitos deles já afastados de seus cargos, agiria sem o prévio conhecimento de seus superiores hierárquicos. Como já noticiamos, em 2004 o PT insistiu para produzir um dossiê contra José Serra, que à época disputava a prefeitura paulistana com Marta Suplicy, e para tal foi oferecido US$ 600 mil. Depois do insucesso da empreitada, um alto integrante do partido, lotado no Palácio do Planalto, partiu para a intimidação de familiares do editor, chegando, inclusive, a ameaçá-lo de morte. A ameaça se deu através de um preposto, que de maneira ousada transmitiu o recado chefe a um integrante da Justiça.

Piada de salão
Não fosse a premiada arquitetura de Oscar Niemeyer, o Palácio do Planalto poderia ser guindado ao status de circo gauche. Dois dos envolvidos no escândalo do dossiê, o Freudgate, exerciam funções no mínimo hilárias para quem colocou em risco a candidatura do presidente Lula. O professor Jorge Lorenzetti, figura de destaque do petismo catarinense, era analista de risco da campanha do candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Já o funcionário do Banco do Brasil, Expedito Afonso Veloso, era diretor de “Gestão de Risco” da instituição financeira.

Pedra no sapato
Com 48% dos votos, segundo pesquisa do Datafolha, o governador Roberto Requião segue na liderança na briga pelo governo do Paraná, enquanto o segundo colocado, senador Osmar Dias (PDT), registrou 26% dos votos. Mesmo em vantagem, a reeleição de Requião não está garantida, pois um novo escândalo deve surgir nas próximas horas. Não bastasse o nababesco apartamento em South Miami Beach, na Florida, onde Ana Duarte e Eduardo Requião passaram momentos pra lá de confortáveis, um novo e elegante endereço deve ser a próxima pedra no caminho do governador paranaense. Trata-se de um charmoso apartamento em uma bucólica rua parisiense, próximo ao aeroporto Charles de Gaulle. (Foto: Wikipedia)

Quem quer dinheiro?
O gasto descomunal do deputado-usineiro João Lyra (PTB) – é pai da bela e curvilínea Thereza Collor – em sua campanha ao governo de Alagoas já teria ultrapassadoos US$ 75 milhões, segundo comentários de integrantes da coligação partidária que sustenta sua candidatura. A desnecessária gastança de Lyra tem causado preocupação nos bastidores do poder e das finanças de Alagoas, assunto que tem levado credores do usineiro a noites de insônia. Comenta-se que o Citibank, utilizando cláusula contratual de empréstimo não honrado, já nomeou interventor na área fina. Ou seja, a casa pode cair.

Grana pelo ladrão
Três depósitos bancários, totalizando R$ 270 mil, estão movimentando autoridades policiais, que agora têm o estado de Santa Catarina na alça de mira. O dinheiro, repassado a uma construtora catarinense, pode estar sendo utilizado para contratar serviços de arapongagem, a exemplo do que pôde ser visto, tempos atrás, no caso da americana Kroll. O interessante é que os depósitos – um no valor de R$ 100 mil e dois de R$ 85 mil – foram feitos no mesmo dia e na mesma agência bancária. Os dois últimos, diga-se de passagem, foram realizados na conhecida modalidade do caixa 2. Para aqueles que adoram fazer uma fezinha no jogo do bicho, eis três respeitáveis milhares: 64.444, 64.554 e 64.564. E boa sorte!

Rei da cocada
Ontem, quarta-feira, o usineiro José Pessoa de Queiroz Bisneto recebeu em seu escritório, cna apital paulista, a visita de um petista bem pra lá de ilustre. Às 11 da manhã, um reluzente Omega preto blindado estacionou à porta do edifício PBK, localizado na avenida Rebouças, uma das mais movimentadas da Paulicéia Desvairada. Do carro, cercado por dois truculentos seguranças, desceu ninguém menos que Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT e um dos artífices do fatídico e criminoso esquema do mensalão. Isto mostra que as declarações do presidente Lula de que os escândalos de corrupção estão sendo apurados, independentemente de quem seja o acusado, não passam de bravatas populistas e eleitoreiras. Presidente, essa história do Delúbio é simplesmente uma vergonha!

Eu voltei
Depois de idas e vindas no âmbito jurídico, o ex-deputado e presidente do Vasco da Gama, Eurico Miranda, teve sua candidatura à Câmara Federal validada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Contando com o voto de boa parte da torcida do cruz-maltino de São Januário, Eurico Miranda deve voltar ao Congresso, de onde saiu sob o escândalo de remessa ilegal de dólares ao exterior. A decisão do TSE não apenas permite ao cartola carioca disputar a eleição de 1º de outubro, mas traz de volta ao parlamento a personificação da desfaçatez. Até porque, alguns brasileiros ainda se lembram do escândalo da empresa Lolo of Florida, com sede em Miami, que Miranda utilizava maneira bisonha. E mais: a decisão do TSE abre uma enorme brecha para os acusados de envolvimento no escândalo das sanguessugas manterem suas candidaturas. Enfim...

Perdendo a linha
De tradicional família paulistana e dono de uma fala mansa, o senador Eduardo Suplicy perdeu a compostura nesta terça-feira, durante debate realizado em uma faculdade da cidade de São Paulo. Interpelado pela empresária Ana Prudente, candidata ao Senado, que quis saber onde estava o senador nos últimos dezesseis anos, época em que surgiram os sanguessugas, vampiros e outros bichos da corrupção política, Suplicy resolveu rodar a baiana, com direito a dedo em riste. Sem medo da investida do parlamentar petista, Ana Prudente continuou questionando Suplicy, que ao final da discussão exibia uma descontrolada tremedeira nas mãos. É fato que Eduardo Suplicy tem grandes e reais chances de se reeleger, mas o episódio desta terça-feira lhe tirou alguns bons votos.

Garatujas esquerdistas
Pensando bem, risco por risco, o PT corre o sério risco de ser riscado do mapa da política.

A ditadura está de volta
(21/09/05) - Quem pensa que o Brasil vive sob a égide da democracia e que o Congresso Nacional é a casa do povo brasileiro, engana-se. Em atitude truculenta e inexplicável, que fez lembrar os plúmbeos anos da ditadura militar, o senador Heráclito Fortes (PFL-PI) determinou, durante o depoimento do doleiro Antonio de Oliveira Claramunt – o Toninho da Barcelona – que a segurança do Senado detivesse o editor da coluna e apreendesse seu material de trabalho, como se a ele coubesse a prerrogativa de determinar o que um jornalista pensa ou escreve. A atitude do senador fere radicalmente a Constituição Federal de 1988, que no artigo 5º determina: "é livre a manifestação do pensamento" (inciso IV); "é livre a expressão da atividade intelectual e científica" (inciso IX); "são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação" (inciso X); "é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar" (inciso XVII). Ou seja, para o senador Heráclito Fortes um mandato parlamentar está acima de qualquer coisa ou pessoa, inclusive da Carta Magna brasileira.

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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