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ano 6 - número 1205

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Ignorante não é aquele sem instrução; é aquele que não conhece a si próprio."
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Jiddu Krisnamurti

   
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Não sei de nada
A mais nova bizarrice discursiva do presidente Lula tem o escândalo do dossiê como alvo. Durante a cerimônia de lançamento da Central Internacional de Compra de Medicamento da ONU, em Nova York, Lula disse que considera “abominável” a produção de dossiês. Em sua declaração, Lula insinuou que a oposição tenta “melar” o processo eleitoral. Classificar o escândalo do dossiê de tentativa de interferência no resultado das eleições mostra que Lula não tem certeza da vitória. Por outro lado, se existem pessoas querendo “melar” o processo eleitoral, como afirmou o presidente, bom seria que Lula extirpasse parte do PT.

Parlapatão rouge
O escândalo do dossiê causou um enorme estrago nos bastidores do PT, fazendo com que muitos de seus ilustres integrantes escorregassem em suas declarações. O ministro Tarso Genro, homem da confiança do presidente Lula, tentou, sem sucesso, explicar o envolvimento de Freud Godoy, assessor especial da Presidência da República, no caso. “Freud é um assessor técnico de estrutura comum”, disse o ministro Tarso Genro, alegando que o episódio é mais uma armação contra o presidente Lula. O que Genro tentou foi ludibriar a opinião pública, pois fosse Freud um comum qualquer, jamais teria recebido um telefonema do presidente Lula para saber sobre o imbróglio. (Foto: AFP)

Falta do que fazer
Ainda o Freud do Lula... Fosse comum o assessor presidencial, Lula teria força para demiti-lo e jamais ficaria à espera de um pedido de demissão. Fosse comum esse tal Freud, não seria responsável pela segurança de dona Marisa Letícia. Fosse comum o Freud, não teria dedicado parte de sua vida a acompanhar Gilberto Carvalho e Sérgio Gomes da Silva, em Santo André. Fosse comum como alegou o ministro Tarso Genro, Freud Godoy não teria morado no Palácio da Alvorada (foto abaixo), juntamente com o primeiro-casal, logo no início do governo Lula. Se o problema fosse pequeno como anunciou o ministro, não haveria motivo para cancelar sua agenda no Rio Grande do Sul e retornar a Brasília rapidamente. Comum, ministro Tarso Genro, é Vossa Excelência que de nada sabe. (Foto: aboutbrasilia.com)

Passando recibo
O episódio do dossiê mostra não apenas o lado criminoso e atrapalhado do Partido dos Trabalhadores, mas principalmente a incompetência da oposição, que durante quase quatro anos foi incapaz de combater um partido político que se encarrega das próprias armadilhas. O que é preciso, de agora em diante, é descobrir o nome do verdadeiro mandante da operação e a origem do dinheiro apreendido pela Polícia Federal. Beira a bizarrice um partido político contabilmente endividado querer torrar pouco mais de R$ 1,7 milhão para fustigar um adversário político. Enfim, cada povo tem o governante que merece.

Cego em tiroteio
A incompetência da oposição para aproveitar o fato que aí está aumenta a cada dia. Desesperado para pegar carona no imbróglio do dossiê, o senador José Jorge (PFL-PE), vice na chapa de Geraldo Alckmin, disse que Ronan Maria Pinto, dono de empresa de ônibus em Santo André, era amigo de Freud Godoy e ex-secretário municipal da mais rica cidade do ABC paulista. Para completar o despreparo discursivo, José Jorge disse que a prova maior da ligação de Ronan com Freud estava nas viagens do empresário ao Mato Grosso. Como se todos os brasileiros que visitaram o estado do oeste brasileiro fossem suspeitos de envolvimento no escândalo do dossiê. Além de não conhecer Freud Godoy, Ronan Maria Pinto jamais foi secretário municipal de Santo André.

Arquivo X
Durante os trabalhos da CPI dos Bingos – alguns petistas a batizaram de CPI do Fim do Mundo – a acareação entre os irmãos Daniel e Gilberto Carvalho produziu uma declaração que pode ser retomada a qualquer momento. João Francisco Daniel perguntou, em tom afirmativo, a Gilberto Carvalho, se ele não se lembrava das saídas com Freud em um veículo Corcel. Ex-seguranças do Delúbio Soares, outrora tesoureiro do PT, confirmaram que Freud Godoy dava cobertura a Gilberto Carvalho em suas visitas a empresários de Santo André.

Pausa merecida
Ultimamente, no Brasil, todo dia tem um escândalo novo. Para escapar do mar de lama que a corrupção advinda do Palácio do Planalto impôs ao brasileiro, nada melhor do que uma boa música. Uma das grandes surpresas da musicalidade brasileira, Nanih Junho, que traz o jazz na alma e na voz, surpreende a todos aqueles que comparecem aos seus shows, em Brasília. Nesta quarta-feira, Nanih Junho se apresenta, a partir das nove da noite, no Champanharia Latitude 15 graus. Em tempos de notícias ruins e diárias, ouvir o trinado de Nanih Junho é um presente. Champanharia Latitude 15 graus – 404 Sul – Brasília – (61) 33221551. Não perca!

Vida dura
Como nem tudo na vida são confusões e o ser humano não é de ferro, até mesmo os banqueiros têm o sacro direito de, vez por outra, mudar o cenário. O mais polêmico de todos os banqueiros tupiniquins, o Tantas, cujo nome a Justiça ainda nos impede de citar, foi visto, na semana passada, circulando por Florianópolis. Há quem garanta que o banqueiro opportunista estaria farejando novos negócios no estado sulista, mas os mais céticos acreditam que algo estranho existe no ar. Ou, quem sabe, na linha de alguém.

Arrumando as gavetas
No próximo dia 28 de setembro, quinta-feira, o banqueiro Tantas e seus tentáculos empresariais perdem, de fato e de direito, o controle das empresas Telemig Celular e Amazônia Celular, sendo que a primeira foi investigada pela CPI Mista dos Correios por estar envolvida com o publicitário Marcos Valério e o seu fatídico mensalão. As duas empresas – Telemig e Amazônia – estão na mira das concorrentes Vivo e Claro. No contraponto, a TIM deve ser vendida em breve, como anunciaram os executivos da Telecom Italia. Acontece que uma operação opportunista pode estar em marcha. O empresário e ex-especulador da Bolsa de Valores Naji Nahas estava ontem na Espanha, onde conversou com diretores da Telefônica, sócia da Vivo. A Claro, do mexicano Carlos Slim, pode participar do negócio, que teria o banqueiro opportunista como timoneiro. E quando o assunto é o mega-empresário Carlos Slim, o ex-ministro José Dirceu contempla o movimento com olhar de soslaio.

Baretta xanvante
Uma nova onda de grampos telefônicos desembarcou em São Paulo. Opportunistas de plantão, descontentes cada vez mais com seus desafetos, decidiram repetir os escândalos que tiveram a americana Kroll e o israelense Avner Shemesh na linha de tiro. Tanto é assim, que está andamento uma operação, com a participação de policiais paulistas, para intimidar os inimigos daqueles que contrataram os serviços policialescos. Devidamente comunicada, a Polícia Federal já monitora à distância os artífices da criminosa operação. E um escândalo envolvendo servidores do governo paulista é tudo que o presidente Lula e o senador Aloízio Mercadante esperam em suas respectivas campanhas.

Companheiro inimigo
“Quem negociou com os Vedoin... merece...”. Foi esta a frase carregada de incredulidade proferida pelo presidente da CPI das Sanguessugas, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), ao saber do envolvimento do presidente do PT, Ricardo Berzoini, no escândalo do dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. Quase que simultaneamente, a revista Época divulgava um comunicado envolvendo Berzoini e o ex-secretário executivo do Ministério do Trabalho, Oswaldo Bargas na confusão que sobrou até para o churrasqueiro palaciano. Ao dizer que não sabia do conteúdo da conversa mantida com o jornalista da revista semanal, Berzoini deixou claro que o PT é uma reunião de maridos traídos. Lula não sabia, assim como Silvinho Land Rover Pereira, Delúbio Soares, e agora Ricardo Berzoini.

Fio trocado
Há clara e enorme dicotomia no discurso de César Maia, prefeito do Rio de Janeiro. Nos programas eleitorais de Geraldo Alckmin, Maia declara seu apoio ao tucano dizendo que, caso o candidato da coligação PSDB-PFL seja eleito, nós vamos ter um novo Rio de Janeiro. Em outra incursão a favor de Alckmin, César Maia diz: eu quero o menor para minha família, para minha cidade e para o meu estado. Na segunda-feira, César Maia, alijado da disputa presidencial por decisão do próprio partido, disse que se Geraldo Alckmin não for eleito, o PFL romperá com o PSDB. Difícil mesmo é saber que está dizendo a verdade: o político que está de olho em 2010 ou o pseudo-apoiador de Geraldo Alckmin.

Truque novo
Nos bastidores do funcionalismo federal, em Brasília, o assunto é um só: o desconto, que vem ocorrendo há vários meses, de R$ 1 no contracheque de milhares de servidores. A Polícia Federal recebeu uma denúncia sobre o assunto e desbaratou o esquema que estaria funcionando a partir do Ministério do Planejamento. O golpe, que arrecadava perto de R$ 600 mil mensais, estava sendo aplicado pelo filho de um assessor de ministro. Por enquanto, o imbróglio, que vem sendo discutido apenas entre os servidores federais, tinha tudo para continuar, pois quase ninguém sentia falta de tão irrisória quantia.

Castelo de areia
Os laudos divulgados pela polícia paulista sobre a morte do coronel Ubiratan Guimarães colocam em xeque os depoimentos prestados pela advogada Carla Cepollina, suposta namorada do militar. De acordo com o resultado da perícia, Ubiratan Guimarães foi morto por volta das 19 horas do sábado, período em que a advogada ainda se encontrava no apartamento. A advogada, que nega a possibilidade de ter sido a autora do crime, entregou à polícia documentos para provar uma suposta estabilidade em seu romance com o coronel. A coluna, que sempre acreditou ser a advogada a algoz do coronel Ubiratan, apurou que somente três pessoas, além do próprio Ubiratan Guimarães, tinham uma cópia da chave do apartamento: um dos filhos do militar, a empregada e Carla Cepollina.

Espeto corrido
Pensando bem, no caso do PT, culpado não é o mordomo, mas o churrasqueiro.

Boi na linha
(20/09/05) - O Tribunal de Contas da União (TCU) detectou superfaturamento em contratos da Petrobras, colocando na linha de tiro três empresas fornecedoras da estatal do petróleo, entre elas a GDK. Com o retorno da GDK para o olho do furacão, a retomada do assunto começa a preocupar alguns parlamentares. Entre os que já não dormem sem a ajuda de um bom e eficiente sonífero estão o senador Delcídio Amaral (PT-MS) e o líder do PP na Câmara, deputado José Janene (PR). Como Delcídio, um católico fervoroso, é fã de carteirinha de Nossa Senhora Aparecida, o melhor é começar a rezar e pedir, com muita força e fé, à padroeira do Brasil. Até porque, castelo de areia, por mais bem construído que seja, não resiste a uma boa e forte lufada de denúncias.

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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