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ano 6 - número 1204

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"O pessimista é uma pessoa que, podendo escolher entre dois males, prefere ambos."
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Freud explica
Os fãs da psicanálise não se cansam de repetir que Freud Explica, mas, desta vez, que de fato explicou foi o Freud particular do presidente Lula. Freud Godoy, assessor da Presidência da República, é um dos seguranças particulares de Luiz Inácio Lula da Silva. Envolvido diretamente no escândalo do dossiê contra o tucano José Serra, Freud Godoy é amigo íntimo de Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado de envolvimento no caso da morte do ex-prefeito Celso Daniel. Quando a turma de Santo André agia criminosa e deliberadamente, Freud sempre acompanhou Gilberto Carvalho nas visitas (sic) aos empresários da cidade do ABC paulista.

Caiu a casa
Regiamente pago com o dinheiro público, Freud Godoy decidiu deixar o cargo temporariamente para não atrapalhar a campanha do presidente Lula. Na verdade, a saída de Freud Godoy do staff do presidente Lula foi uma recomendação dos advogados da campanha petista, que já vislumbram problemas no âmbito da Justiça Eleitoral. Perguntado sobre o assunto, nesta segunda-feira, o presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello, declarou: “Há um instrumental na Constituição Federal, que é a ação de impugnação ao mandato alcançado, e essa ação alcança qualquer cidadão que detenha um mandato, pouco importando que seja o presidente da República”. Isso mostra que o Palácio do Planalto agiu rapidamente para evitar um mal maior. Apenas para lembrar, quando o escândalo Waldomiro Diniz veio à tona, o Planalto agiu de maneira idêntica. Exonerou sob a desculpa de pedido de demissão.

Na corda bamba
A possibilidade de impugnação da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva poderá ser requerida, também, pelo envolvimento do PT, uma vez que Gedimar Pereira Passos, um dos presos pela Polícia Federal, é funcionário da Executiva Nacional do partido. Gedimar Passos, em depoimento à PF, disse que o dinheiro da operação – pouco mais de R$ 1,7 milhão – lhe foi entregue por Freud Godoy, que negou envolvimento no caso. Também envolvido no escândalo do dossiê, o professor Jorge Lorenzetti, fundador do Partido dos Trabalhadores, era o responsável, na maioria das vezes, pelos churrascos presidenciais no Palácio da Alvorada e na Granja do Torto. Lorenzetti é funcionário do Banco do Estado de Santa Catarina, o Besc, presidido desde 2003 por Eurides Mescolotto, ex-marido da senadora Ideli Salvatti (PT-SC). (Foto: Argenpress)

Lorota boa
A cúpula petista e a assessoria palaciana continuam afirmando que o Partido dos Trabalhadores não é dado a dossiês, mas tais declarações são uma ode à mitomania. Na eleição municipal de 2004, quando José Serra e Marta Suplicy disputavam ferozmente a prefeitura de São Paulo, o editor da coluna foi procurado, logo no início da campanha, para produzir um dossiê contra Gilberto Kassab, o que recusou. Valor da proposta: R$ 100 mil. Mais adiante, com a disputa caminhando para o segundo turno, uma nova proposta. Desta vez, com pagamento estipulado em dólar, assessores do PT ofereceram ao editor a fortuna de US$ 600 mil. Após negar três vezes, o editor viu seus familiares sofrerem pressões de toda ordem. Tempos depois, o editor do ucho.info foi ameaçado de morte, assunto que foi parar no gabinete de integrantes da Justiça.

Barrado no baile
O ministro Marcelo Ribeiro, do Tribunal Superior Eleitoral, concedeu nesta segunda-feira parcialmente uma liminar em ação impetrada pelo Partido dos Trabalhadores, vetando parte da propaganda política do candidato da coligação “Por um Brasil decente”, Geraldo Alckmin. O trecho que da propaganda eleitoral proibido retrata a exata realidade do Palácio do Planalto, agora tomado pelo escândalo do dossiê: “Mas o governo precisa dar o exemplo. Em primeiro lugar, tem que ser honesto. A corrupção é a pior das violências porque tira dinheiro do pobre para dar para o malandro, que às vezes é alto funcionário e trabalha na sala ao lado”. Ora, se Freud Godoy trabalhava na sala anexa ao gabinete do presidente Lula, onde está a ofensa?

Problemas de sobra
Dois outros detalhes do escândalo do dossiê complicam ainda mais a situação do presidente Lula. Freud Godoy confirmou que vinha prestando serviços à campanha de Lula, o que é proibido por lei, já que era funcionário da Presidência da República. Gedimar Passos, preso pela Polícia Federal, em São Paulo, e já transferido para Goiânia, trabalha atualmente na campanha do presidente Lula pela reeleição. Em um país minimamente sério, todos os envolvidos, do presidente ao segurança, estariam contemplando o nascer do astro-rei de maneira geometricamente distinta. Enfim, o eleitor pode ir se preparando, pois Lula certamente virá com o discurso de que não sabia de nada.

Batendo duro
Tendo o suposto apreço de Lula pelo álcool como moldura para seu discurso, o senador ACM (PFL-BA) devolveu nesta segunda-feira o insulto do presidente, que o chamou, na última semana de hamster. “Estou mais para gato caçador de rato ladrão do dinheiro público do que para hamster. Até porque estou mais acostumado a combater os grandes ratos. E a cada dia fica mais confirmado que Lula é um roedor implacável, incontrolável, para si e para seus familiares.”, disse o parlamentar baiano”. E colocando em dúvida a retidão moral do presidente Lula, o senador ACM completou: “É mais fácil eu ainda ser um leão do que ele ser um homem sério”. Presidente, na atual situação, ser amoral ou imoral não az muito diferença, mas se deparar com uma reprimenda de Antonio Carlos Magalhães é o fim. Pense, presidente, bonés não lhe faltam.

Ficou pequeno
Prestar serviços para a estatal Yacimientos Petroliferos Fiscales Bolivianos é o que quer para a Petrobras o novo ministro de Hidrocarbonetos daquele país, Carlos Villegas. Em entrevista concedida à jornalista Patrícia Janiot, da CNN em Español, o presidente Evo Morales negou que seu governo irá confiscar ou expropriar as instalações da Petrobras, o que coloca por terra as declarações do novo ministro, que continua fazendo ameaças ao Brasil. Enquanto Morales chamava Luiz Inácio Lula da Silva de companheiro e irmão mais velho, o governo boliviano acusou o Brasil de “imperialista” e “soberbo”. O fato é que esse imbróglio é uma das histórias mais mal contadas dos últimos tempos. A esquerda latina quer financiar a sobrevivência do modelo político cubano com o dinheiro do contribuinte brasileiro.

Pretensão e água benta
Sem saber como aproveitar política e eleitoralmente o escândalo do dossiê sanguessuga, a coligação PSDB-PFL continua vivendo momentos de ciumeira explícita e sedas ao vento. Prefeito do Rio de Janeiro e ainda inconformado de ter sido barrado em seu sonho de enfrentar o presidente Lula em outubro próximo, César Maia disse, nesta segunda-feira, que no caso de uma derrota de Geraldo Alckmin o PFL vai romper relações com o PSDB. A declaração de César Maia tem um único objetivo: as eleições de 2010. Confiante na derrota de Alckmin, o alcaide da Cidade Maravilhosa declarou: “O PSDB sai fraco. O PFL sai forte desta eleição. Muito mais unido. Muito mais estruturado”. É fato que a campanha do ex-governador paulista não é da mais empolgantes, mas César Maia, como boa chocadeira, deveria cuidar da própria cria. Até porque, muitos fatos sobre o escândalo das sanguessugas continuam devidamente abafados, com o endosso do PFL.

Nada como o tempo
Quando ainda estava em campanha para ocupar o Palácio Iguaçu, em 2002, Roberto Requião prometeu o que sabia ser impossível de cumprir. Acabar com os pedágios nas estradas do Paraná foi uma das promessas, mas até hoje o paranaense enfrenta a volúpia arrecadadora das empresas que administram as estradas daquele estado. E como recordar é viver e não faz mal à memória de ninguém, não custa ressuscitar um outdoor instalado a mando de Requião em uma das estradas do Paraná. Governador, o pedágio não só continua impávido e colossal, como o preço não baixou.

Seguindo as pegadas
A arapongagem oficial do Palácio Iguaçu, que colocou em maus lençóis Roberto Requião, pode ter extrapolado os limites impostos pelo governador paranaense. O serviço clandestino de escutas telefônicas comandado por Délcio Razera monitorou amigos próximos do governador Requião, mas pode ter invadido a privacidade de membros da família do mandatário paranaense. Razera ouvido as conversas de Eduardo Requião, diretor do porto de Paranaguá, o que teria levado ao escândalo do nababesco apartamento em South Miami Beach, localizado no número 140 da Jefferson Avenue (foto abaixo). Os tentáculos da arapongagem foram tão além, que até Maristela Quarenghi de Mello e Silva, esposa do governador, pode ter sido vítima da quadrilha. No alvo das escutas estariam contas bancárias no exterior e um elegante apartamento em Paris.

Lupa na mão
Um dos mais atuantes integrantes da CPI Mista dos Correios e com a reeleição praticamente garantida, o deputado federal Gustavo Fruet (PSDB-PR), indignado com o escândalo do dossiê, vai encaminhar, através da Câmara dos Deputados, um pedido de informações ao Ministério da Justiça, para que a Polícia Federal investigue e informe a origem do dinheiro utilizado por integrantes do PT para comprar um dossiê que mostraria ligações do candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, com a máfia das ambulâncias. Defendendo uma rigorosa apuração do caso, Fruet declarou: “Nos últimos tempos, notícias sobre pessoas que andam por aí com mais de R$ 1 milhão já deixaram de ser surpreendentes. Mas continuam sendo estranhos e temos que exigir uma investigação séria a respeito desse dinheiro”.

Intifada da fronteira
Senador pelo tucanato paranaense e praticamente reeleito, Alvaro Dias volta a ser aquela velha e conhecida pedra no sapato de Roberto Requião (PMDB). Há dias, o PMDB de Foz do Iguaçu, que em tese deveria não apoiar desafetos políticos do governador, decidiu embarcar na campanha de Alvaro Dias. Trata-se de mais um duro golpe no sonho de Requião continuar mais quatro anos no Palácio Iguaçu, fazendo o que bem entende e dando emprego e altos salários a duas dúzias de parentes. E mais: não será novidade alguma se, diante das urnas, os peemedebistas de Foz do Iguaçu cravarem voto em Osmar Dias, candidato ao governo do Paraná.

Rasgando seda
Nos últimos tempos, o PT tem se dedicado a ser o pomo da discórdia em setores que não lhe dizem respeito. No último domingo, aconteceu em Porto Alegre uma parada gay, considerada como sendo a oficial, uma vez que uma dissidência do movimento acabou criando evento semelhante. Não bastassem as agruras políticas que os petistas enfrentam na terra de chimangos e maragatos, ao PT está sendo creditada a cizânia no movimento gay gaúcho, que, segundo informações vindas dos pampas, não nenhum integrante da região. Ou seja, no Rio Grande o arco-íris é mais vermelho.

Divã vermelho
Pensando bem, nem mesmo com um Freud à disposição Lula consegue se explicar.

Firme e forte
(19/09/05) - Tão logo começaram as denúncias de Roberto Jefferson contra o PT e os ocupantes do Palácio do Planalto, a opinião pública esperava que o presidente Lula ejetasse o PTB do governo, tirando-lhe todos os cargos a que teve direito na composição da base aliada. Causa estranheza o fato de Walfrido dos Mares Guia continuar à frente do Ministério do Turismo, como se o mineiro que entrou na lista de suspeitos da morte da modelo Cristiana Aparecida Ferreira fosse insubstituível. Até porque, no universo do Turismo existem mais competentes camuflados do que muitos imaginam.

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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