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ano 6 - número 1203

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Tudo o que é rigorosamente proibido é ligeiramente permitido."
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Roberto Campos

   
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Armação gauche
Darci e Luiz Antonio Vedoin já ultrapassaram, com folga, os quinze minutos de fama que o americano Andy Warhol um dia garantiu que todos teriam o direito de experimentar. A última edição da revista Istoé traz uma reportagem em que os Vedoin acusam o tucano José Serra de envolvimento na máfia das ambulâncias superfaturadas, assim como seu sucessor Barjas Negri, atualmente à frente da prefeitura de Piracicaba, interior de São Paulo. Horas depois da chegada da publicação às bancas, Luiz Antonio Vedoin voltou à prisão, enquanto a Polícia Federal prendia um acusado de envolvimento na farsa montada pelo PT para atacar o tucano que está a um passo do Palácio dos Bandeirantes. No mínimo uma enorme coincidência, especialmente porque atrás das grades Vedoin não revela o nome de quem de fato o contratou para tão estapafúrdia missão. (Foto: The Economist)

Tiro no pé
Ainda o caso Serra... Perseguir o tucanato – em especial o ninho paulista – tem sido uma obsessão dos petistas. Em 2004, quando José Serra e Marta Suplicy disputavam a prefeitura de São Paulo, petistas ligados a Silvio Pereira tentaram, sem sucesso, comprar um dossiê contra o tucano. A oferta inicial foi de US$ 250 mil, para, em seguida, subir para US$ 500 mil e, finalmente, US$ 600 mil. O que mostra que dossiê contra José Serra é mercadoria tabelada. A sorte de Serra é que esta tribuna, odiada por alguns, não se dedica à produção de dossiês. E mais: de onde saiu o dinheiro – R$ 1,7 milhão (dólares inclusos) – para compra do tal dossiê? O que o PT queria em 2002 era desdobrar o caso da sociedade de Verônica Serra, filha de José Serra, com a irmão do banqueiro tupiniquim Tantas, cujo nome a Justiça ainda nos príbe de citar.

Nada sei
Lula, durante visita à capital sergipana, Aracaju, no final de semana, disse ser abominável a tentativa de produção de dossiês. Esse discurso de Lula é da pior qualidade, pois não é de hoje que o PT e seus tentáculos se dedicam diuturnamente à produção de dossiês, sempre com o objetivo de atrapalhar o caminho daqueles que incomodam a camarilha rouge. Quando o capítulo da binacional Itaipu passou a ser alvo de críticas, o Palácio do Planalto não demorou em agir. Os que atacavam a usina e seus diretores brasileiros sofreram as mais inesperadas ações, sendo que o caso foi devidamente abafado, como determinou assessores palacianos. No contraponto, o caseiro Francenildo Costa, o Nildo, que denunciou as estripulias da República de Ribeirão, só não foi merecedor de um dossiê por sua origem humilde. Fosse o caseiro Nildo alguém ligeiramente mais graúdo, certamente estaria em maus lençóis. (Foto:Argenpress)

Pulando do barco
Presidente do capítulo paulista do Partido dos Trabalhadores, Paulo Frateschi disse, na noite deste domingo, que o PT jamais utilizou e nem mesmo utilizará dossiês fabricados para atacar adversários políticos. Por outro lado, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, declarou que a Polícia Federal fará uma investigação isenta do caso. Ora, se o ministro precisa anunciar que a investigação será isenta, é porque outras tantas não foram.

Tentação de sobra
“Hamster e nanico”. Tais adjetivos foram utilizados pelo presidente Lula para, durante visita à Bahia, se referir ao senador Antonio Carlos Magalhães e ao deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, respectivamente. Que ACM, o avô, está com a derme alva e o cabelo branco, não como contestar, assim como ACM Neto não é das figuras mais altas. Porém, Lula foge de seu discurso proferido nos programas eleitorais, de que não reagirá às provocações dos adversários. O fato é que o desespero desembarcou na campanha de Lula, principalmente depois que pesquisa eleitoral apontou um empate técnico (35% cada) entre o presidente e o tucano Geraldo Alckmin, no Distrito Federal, reduto eminentemente petista. Resta saber como Alckmin conseguiu subir onze pontos percentuais em apenas duas semanas. Ou as pesquisas anteriores vinham sendo maquiadas, ou a maquiagem entrou em cena agora.

Tempos plúmbeos
“Ao longo desses 44 meses de mandato, o presidente não só demonstrou absoluto respeito pela liberdade e soberania do Congresso como fez questão de prestigiá-lo e valorizá-lo com repetidos gestos de apreço”. Este é conteúdo da nota emitida pelo Palácio do Planalto e assinada por André Singer, porta-voz do presidente Lula, para justificar as declarações sobre um possível fechamento do Congresso. Indagado no rega-bofe ministerial sobre como o Brasil poderia atingir níveis de desenvolvimento econômico semelhantes ao da China, Lula disparou: “A China é uma ditadura. Para fazer isso, só se eu fechasse o Congresso”. Essa história de se espelhar em Hugo Chávez está cada vez mais perigosa, pois “bolivarizar” o Brasil é algo tão criminoso quanto esdrúxulo.

Tapete voador
Dando continuidade ao seu projeto de transformar em Messias planetário, ou, para os mais nacionalistas, em Sassá Mutema planaltino, Lula desembarcará em breve em Beirute, cidade que um dia já foi considerada a oitava maravilha do mundo. Destruída mais uma vez pela animosidade que reina na região, a porta de entrada do Oriente Médio deve receber uma comitiva de empreiteiros brasileiros que, emoldurados pelo messinanismo barato de Lula, esperam conquistar contratos para reconstruir o Líbano. No rastro da visita presidencial, a seleção brasileira de futebol deve participar de partida beneficente, repetindo o que fez em Port-au-Prince, capital do Haiti.

Aí tem!
A incompetência da diplomacia brasileira já ultrapassou o limite do suportável. Antes do confisco das refinarias da Petrobras pelo governo boliviano, o ministro de Minas Energia, Silas Rondeau, anunciou, na segunda-feira, que o Brasil retomaria os investimentos naquele país. Tanto é assim, que Rondeau tinha viagem marcada para o país vizinho, juntamente com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Com a decisão do governo de Evo Morales, os ocupantes do Palácio do Planalto se disseram surpresos. Ora, como atitudes radicais não são tomadas da noite para o dia, é preciso que alguém apareça para explicar para que servem os diplomatas brasileiros, principalmente aqueles que torram o dinheiro brasileiro em La Paz. Com a palavra, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

Vale a pena pensar
Nas últimas semanas, a atenção do eleitor está voltada para a disputa presidencial, como não poderia deixar de ser, mas é importante que a escolha dos deputados federais receba a devida importância. Considerando que José Alencar – atual vice-presidente e candidato a permanecer no cargo – enfrenta sérios problemas de saúde, o presidente Lula poderá ser substituído por alguém da oposição, caso o PT e os partidos aliados do governo não façam o presidente da Câmara dos Deputados. Não se trata de torcer para que o pior aconteça com José Alencar, mas em caso de ausência ou impedimento do vice-presidente, Lula não poderá deixar o país. Do contrário, na volta terá perdido o trono.

Calculadora eleitoral
No ainda milionário mundo da política, onde o balcão de negócios do Congresso Nacional alarga a cada novo dia que surge, números de bastidores têm causado desconforto e preocupação. Nos estados do sul do país, um voto para chegar à Câmara está custando entre R$ 10 e R$ 15, ou seja, um candidato que saia das urnas com sessenta mil votos, terá investido (sic) R$ 900 mil. Por outro lado, pagar a multa por ausência na eleição custa R$ 2. Resumindo, é preciso pensar para saber se é melhor perder R$ 2 do próprio bolso do que ser vítima de R$ 15 alheios.

Fala que eu te escuto
A calma dominical foi interrompida pela notícia de grampo nos telefones dos ministros Marco Aurélio Mello e César Peluzzo, presidente e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, além do ministro Marcelo Ribeiro. Os três, sem exceção, têm sido implacáveis na aplicação da legislação eleitoral, sendo que o mais rígido é o ministro Marcelo Ribeiro. O assunto, que será remetido com urgência para a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Ellen Gracie Northfleet, caiu como uma bomba nos meios políticos, principalmente porque na última quinta-feira o presidente Lula, durante jantar na casa do ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) falou em fechamento do Congresso para implementação de reformas.

Marasmo total
O caso das sanguessugas, que se arrasta de maneira vergonhosa durante o período eleitoral, tem tudo para ser postergado. O Conselho de Ética do Senado, que julga o caso dos senadores Magno Malta, Ney Suassuna e Serys Slhessaenko se reúne, mais uma vez, nesta quarta-feira, com a esperança de que os parlamentares compareçam para votar o processo do senador paraibano, um dos mais implicados no imbróglio. Na última semana, quando ouviu o depoimento de Ney Suassuna, o Conselho de Ética conseguiu a proeza de reunir apenas quatro parlamentares. Faltando menos de duas semanas para as eleições, imaginar que no Congresso terá alguém com disposição para CPI é devaneio.

Sob medida
A invasão da fazenda do ainda deputado José Janene (PP-PR) por integrantes do MST causou especulações das mais variadas no mundo da política paranaense. Na região de Londrina, base eleitoral de Janene, muitos afirmam que a invasão teria sido encomendada por membros do PT, que têm no deputado do PP um inimigo político. A tese da encomenda tem uma dose de lógica, pois o MST, a pedido do Palácio do Planalto, decidiu postergar as invasões, pelo menos até a eleição presidencial. O perigo maior não está na ocupação das terras de Janene, mas no que sabe sobre o escândalo do mensalão. No auge da negociata parlamentar, José Janene, ao se dirigir a líderes petistas, chamou o presidente Lula de “filho da puta”.

O papa não é pop
As declarações do papa Bento XVI, sobre o profeta Maomé, causou um estrago considerável no mundo islâmico. Enquanto líderes muçulmanos aguardavam uma resposta do pontífice católico, os seguidores de Maomé decidiram fazer justiça por conta própria. No território palestino algumas igrejas católicas foram atacadas, enquanto na Somália uma freira e seu acompanhante foram assassinados. Mesmo assim, Joseph Ratzinger, o papa Bento XVI, que descansa em Castelgandolfo, lamentou o episódio, mas não se desculpou, como esperavam os seguidores do Islã.

Pesadelo do poder
Pensando bem, Lula dormiu achando que era melhor do que Fidel, mas acordou certo de que é pior que Hugo Chávez.

Com procuração
(19/09/05) - Da tribuna da Câmara do Deputados, Roberto Jefferson, ainda deputado federal, disparou que Lula é um “malandro preguiçoso”, palavras que tiveram efeito devastador em todas as facções do Partido dos Trabalhadores. Independentemente de o presidente Luiz Inácio ser malandro ou preguiçoso – ou ambos – o fato é que Roberto Jefferson recebeu, logo no início da crise, o que o inquilino do Palácio do Planalto chamou de “cheque assinado em branco”. Ou seja, nem Lula nem seus seguidores podem reclamar. Afinal, quem recebe um cheque em branco e assinado é porque conhece muito bem quem comete tamanha insanidade.

Ucho Haddad

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