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ano 6 - número 1202

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
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Briga de comadres
Sem acrescentar algo de proveitoso à vida do país e dos brasileiros, Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso continuam trocando farpas. De olho na eleição de outubro – praticamente garantida – o presidente Lula afirmou, nesta quinta-feira, que todos os casos de corrupção ora investigados tiveram início durante a era FHC. É verdade que a corrupção não é uma invenção do presidente Lula, mas cabia ao petista investigar e punir todos aqueles que ao longo da história se envolveram em crimes de tal natureza. O melhor exemplo ó caso do Banestado, cuja CPI terminou de maneira pífia. E coube ao relator, deputado José Mentor (PT-SP), a confecção de um documento final tão criminoso quanto o objeto da investigação. (Foto: Wikipedia)

Calou por quê?
Temendo a necessidade de enfrentar um segundo turno, o presidente Lula se esquiva das acusações de corrupção, o que fez de seu governo um dos mais corruptos da história nacional. Fossem verdadeiras as declarações lulianas, de que a corrupção vem sendo combatida, a Operação Dilúvio da Polícia Federal, a maior delas até agora, não teria sido abafada como foi. O caso, que tomou a mídia por pouco mais de vinte e quatro horas, simplesmente caiu no esquecimento. No centro das investigações estavam empresas grandes e conhecidas, acusadas de crime contra a ordem tributária. Resta saber se algumas das empresas, por uma daquelas coincidências, não se tornaram doadoras da campanha do presidente Lula.

Adubo gauche
Um novo escândalo começa a tomar conta das entranhas planaltinas, mesmo que o conteúdo da confusão ostente contornos de fábula mexicana. Bombeiros e policiais militares paulistas, que de 2003 até recentemente integravam o pelotão de choque de figura íntima dos mais reservados e quase inacessíveis gabinetes do Palácio do Planalto, teria ordenado aos protetores de aluguel uma missão quase impossível. Sair da capital paulista rumo ao estado de Goiás, com uma incumbência bem estranha: enterrar pacotes e mais pacotes de dinheiro. Será que alguém descobriu que dinheiro também dá em árvore?

Entrou areia
A crise entre Brasil e Bolívia aumentou nesta quinta-feira, quando o governo de La Paz anunciou mais um duro golpe contra a brasileira Petrobras. De acordo com o ministro de Hidrocarbonetos, a Petrobras perderia todas as suas instalações em um processo de re-estatização. Horas depois, a medida anunciada pelo ministro foi congelada, por decisão do vice-presidente boliviano, o que mostra que Evo Morales não chegou ao poder por competência ou algo semelhante. Morales só conquistou a presidência da Bolívia porque foi alvo de um acordo espúrio de bastidor.

Barco furado
Ainda o gás boliviano... O governo brasileiro, que até então agiu irresponsavelmente, já pensa em abandonar a operação da Petrobras na Bolívia, o que mostra ser criminosa conduta dos ministros de Luiz Inácio da Silva, o presidente Lula. Por ocasião do primeiro entrevero envolvendo o gás boliviano, Lula disse que as reservas naturais daquele país eram dos bolivianos e que a Bolívia era um país pobre. Ao invés de passar a mão na cabeça de Evo Morales, Lula deveria ter obrigado o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) e Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, a agirem dura e imediatamente. O tempo passou e só a incompetência de ambos é que falou mais alto. Independentemente do fiasco da diplomacia brasileira, resta saber o que fazem embaixadores e cônsules brasileiros no exterior, além de viverem nababescamente às custas do dinheiro público.

Armação ilimitada
A Bolívia é responsável pelo fornecimento de 50% do gás consumido no Brasil, mandando diariamente para cá vinte e quatro milhões de metros cúbicos do produto. A interrupção no fornecimento pode afetar o parque industrial brasileiro, em especial o de São Paulo, que é movido a gás. Uma troca na geração de energia é possível, sim, mas demandaria temo e dinheiro. O que fica claro em mais um capítulo dessa novela boliviana é que a decisão de desrespeitar um contrato firmado com o Brasil passa obrigatoriamente pela capital cubana, Havana, e pelo Palácio Miraflores (imagem abaixo), sede do executivo venezuelano. Como noticiou a coluna, as repetidas visitas de Hugo Chávez ao combalido Fidel Castro não foram para entrega de geléias. O projeto de ambos, Chávez e Castro, é estabelecer, mesmo que oficiosamente, uma um fonte de financiamento para a continuidade do socialismo cubano. (Foto: Argenpress)

Parando geral
Repetindo o que aconteceu semanas antes do primeiro imbróglio envolvendo Brasil e Bolívia, o ex-ministro de deputado cassado José Dirceu de Oliveira e Silva, também conhecido como Pedro Caroço, desembarcou no país vizinho sob o pretexto de cuidar de interesses do empresário Eike Batista. Na última semana, o ex-comissário palaciano esteve na Bolívia, como se fosse emoldurar uma nova ge anunciada crise. Por isso, meu caro leitor, aquela máxima da apresentadora Angélica, “vou de táxi”, pode estar com os dias contados em alguns estados brasileiros, onde os táxis são movidos a gás.

Quem quer dinheiro?
R$ 22,2 bilhões. Este é o lucro dos bancos até junho deste ano, que apresentou um crescimento de 43% em relação ao mesmo período de 2005. Uma mudança na legislação tributária realizada pelo governo do presidente Lula permitiu aos bancos reduzirem consideravelmente suas despesas. Desde a campanha de 2002, que teve Luiz Inácio da Silva como vencedor, os banqueiros vêm derramando verdadeiras fortunas nos cofres dos petistas, o que em bom português configura crime de lesa pátria e lesa povo. Na anatomia criminal de tal situação é possível detectar situações espúrias, como a cobrança da Taxa de Abertura de Crédito, a ilegal e famigerada TAC. Cobrada em toda operação de crédito, a TAC pode chegar, em alguns casos, a R$ 800. Independentemente de ser antigo ou não, o cliente será obrigado a pagar a TAC caso queira algum tipo de empréstimo ou financiamento. Então, presidente Lula, Vossa Excelência um dia não disse que governaria para o povo, o qual retomaria as esperanças perdidas?

Rolo novo
Se escândalos, como sempre, recheiam o cardápio das eleições brasileiras, vamos a eles. Em fase inicial de investigação, um caso de corrupção envolve desta vez o Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes, o famigerado DNIT, que sucedeu Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, o sempre borbulhante DNER. O alvo da confusão atual é uma compra superfaturada de móveis no valor de R$ 1,6 milhão. Uma cadeira teria sido comprada por R$ 1.250,00, ou seja, quase quatro salários mínimos para se sentar em cima. O assunto em si não é novidade, pois outro órgão de comunicação já noticiou o fato. De novo só mesmo a revelação do nome de um dos investigados: o sempre presente Delúbio Soares, ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, que saiu do escândalo do mensalão sem chamusca de qualquer espécie.

Beco sem saída
Candidato ao governo de Pernambuco e ex-ministro da Saúde, Humberto Costa que se prepare. Indiciado pela Polícia Federal como integrante da Operação Vampiro, Humberto Costa, de agora em diante, também é alvo de nova investigação: o destino de R$ 20 milhões da pasta da Saúde. O assunto pode envolver nomes ilustres das hostes petistas, o que, se revelado na íntegra, pode comprometer, e muito, a campanha do presidente Luiz Inácio. Há quem diga que o ex-dono dos cofres petistas, Delúbio Soares, estaria ciente da operação e silenciou. Se é que apenas ficou calado.

Primos pobres
Fadado a não eleger figuras históricas do partido, o PT vive uma clara dicotomia financeira, considerando as antagônicas realidades de gastos de campanha. A bordo de uma campanha milionária, o presidente Luiz Inácio, que ainda conta com a máquina pública a seu favor, tem cada vez mais chances de conquistar um segundo mandato. No contraponto, figuras carimbadas do PT têm enfrentado silenciosamente a escassez de doações, como é caso de Olívio Dutra, o Stalin de Bossoróca, e Flávio Arns, candidatos aos governos do Rio Grande do Sul e do Paraná, respectivamente. Como as pesquisas eleitorais apontam uma derrota de Lula para Geraldo Alckmin no Rio Grande do Sul, o candidato petista intensificou suas visitas à terra de chimangos e maragatos, na tentativa de reverter o quadro atual. Acontece que em termos locais, a campanha de Olívio Dutra é pobre e nada entusiasta, exibindo uma clara falta de material de propaganda. (Foto: alencontre.org)

Para inglês ver
Anunciado às vésperas das eleições, o pacote da habitação continua rendendo nos bastidores comentários dos mais variados. Considerado fraco pela muitos empresários da construção civil, o tal pacote privilegia muito acanhadamente o setor, como se as benesses nele contidas garantissem a reeleição do presidente Luiz Inácio. Uma das aberrações do pacote econômico setorizado é a redução do IPI sobre chuveiros, móveis e metais sanitários. Enquanto isso, as alíquotas de IPI que incidem sobre uma caneta esferográfica popular e uma bala e revólver continuam idênticas. Presidente, a história de um país se escreve com tinta e não com pólvora, mesmo que o chuveiro palaciano seja bom o suficiente para um demorado banho.

Show de incompetência
Nada no PSDB foi tão ridículo quanto a passagem do senador Tasso Jereissati pela presidência nacional do partido, onde ainda permanece como comandante-mor. Sem saber se pende para o coté velhaco de Fernando Henrique Cardoso, que não satisfeito com o desserviço que prestou ao país durante oito anos agora dispara seu besteirol aos quatro ventos, ou para a vontade de vencer da dupla Geraldo Alckmin-Aécio Neves, Tasso Jereissati continua posando de marido traído. O racha que vem tomando conta do PSDB é tão impressionante, que a criação de um novo partido deve sair desta nova confusão política. Com Geraldo Alckmin saindo da corrida presidencial, mesmo derrotado, com bom cacife político e Aécio Neves sinalizando sua migração para o PMDB, o tucanato fica sem candidato de peso para 2010. Até lá, FHC estará velho de mais e José Serra terá aumentado seu mau humor. Enfim, no Brasil o mico criou penas e ganhou bico.

Operação abafa
Continua sem solução o caso de privatização da Companhia Vale do Rio Doce, a dourada CVRD. Por ocasião da privatização, o Bradesco foi escolhido, sabe-se lá por quais motivos, para avaliar o patrimônio da então estatal e comandar o processo de transferência da empresa para a iniciativa privada. Impedido de participar do controle acionário da milionária mineradora, o Bradesco acabou entrando no negócio por vias transversas. Benjamin Steinbrch, então sócio da Vale, acabou deixando o negócio para o Bradesco, que por lei não pode integrar a sociedade. O assunto continua parado no Ministério Público Federal. No mínimo estranho, muito estranho.

Tá devendo!
Pensando bem, Lula tem mais uma promessa não cumprida. A de formar uma equipe ministerial competente.

Dando o cano
(15/09/05) - Se a denúncia de Roberto Jefferson contra o jornal O Globo for verdadeira, o que não é de se espantar, o governo Lula deve igualmente ser responsabilizado, pois está agindo em conluio com os controladores do tablóide carioca, sem contar que a dívida com o INSS, perto de R$ 1,2 bilhão, se refere à parte do empregado, o que caracteriza, sem esforço algum, crime de apropriação indébita. Lula e seus seguidores vão fingir desconhecer o assunto, principalmente porque a popularidade presidencial está em queda mais do que livre. Em um país minimamente sério, todos os diretores do jornal estariam na cadeia.

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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