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ano 6 - número 1201

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Uma longa viagem começa com um único passo."
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Lao-Tsé

   
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Olho da rua
Passado o escândalo do mensalão, o ex-todo-poderoso Delúbio Soares achou por bem dispensar sua segurança pessoal, composta por bombeiros e militares garimpados na região de Santo André, berço da confusão que levou Celso Daniel à morte. Agora, abandonados pelo ex-chefe, os seguranças, que não tiveram direito a indenização de qualquer natureza, resolveram contar o que sabem. Tão logo candidato Luiz Inácio Lula da Silva venceu a eleição de 2002, a equipe, que sempre escoltou Delúbio Soares, passou a prestar serviços para a família do presidente eleito. Entre as gentilezas prestadas pela turma de “armários oficiais” estariam serviços de babá para os filhos do presidente Lula e algumas entregas nada ortodoxas.

Comboio rouge
Em uma das vezes, os seguranças escoltaram Luiz Inácio Lula da Silva até a região dos Jardins, na zona sul de São Paulo, onde o presidente se reuniu com Delúbio Soares em um flat. Os mesmos seguranças, que têm revelado de maneira homeopática o que sabem, foram incumbidos de levar pacotes de dinheiro para São Bernardo do Campo. Os bilhetes de Delúbio Soares, determinando o que deveria ser feito, estão de posse dos bombeiros e militares, que, durante bom tempo, funcionaram como anjos da guarda do ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores.

Sem saída
O presidente Lula bem que tentou, mas o Tribunal de Contas da União aprovou o relatório que denuncia o escândalo das cartilhas, encomendadas pelo Palácio do Planalto e que consumiu perto de R$ 11,7 milhões do dinheiro público. Com críticas à gestão de Fernando Henrique Cardoso, as tais cartilhas, que traziam os supostos avanços do governo Lula, teriam sido distribuídas a vários municípios brasileiros, mas alguns prefeitos petistas acabaram desmentindo a versão palaciana. O pernambucano Marcos Vilaça, ministro do TCU, pensou em atender aos apelos do presidente Lula e atrapalhar a votação do relatório, mas acabou desistindo. O dinheiro, supostamente desviado – não há comprovação da existência do material – teria sido utilizado para quitar dívidas remanescentes da campanha anterior. Assim, devolver o dinheiro em quinze dias, como exige o TCU, só mesmo se acontecer um milagre.

Fuginda raia
Não poderia ser diferente. Luiz Inácio da Silva, o presidente Lula, mais uma vez deixou de comparecer a um debate entre presidenciáveis, desta vez realizado pela TV Gazeta, em São Paulo, A exemplo de José Serra, que também se recusa a participar de debates, Lula não compareceu e foi guindado à condição de alvo predileto dos adversários. Responder sobre os escândalos de corrupção em que se envolveram seus diletos companheiros certamente seria um ato de suicídio político. Orientado pelos marqueteiros de campanha, Lula continua fingindo desconhecimento sobre o que o mundo já sabe: seu governo foi tão o mais corrupto que os de antecessores.

Caiu a casa
Ainda repercute negativamente a decisão da Polícia Federal de avisar ao senador Renan Calheiros, com muitas horas de antecedência, o início da Operação Mão-de-Obra, que tinha como objetivo interromper a farra nas contratações congressuais. Integrantes da PF garantem ser essa uma prática normal, mas ninguém ligou para a Daslu comunicando a cena hollywoodiana que a PF protagonizou na mais chique e badalada butique brasileira. É bom lembrar que o chefe-maior da Polícia Federal é ninguém menos que Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça. O temor que reinou no Senado, naquele momento, recaia sobre a possibilidade de a PF encontrar documentos comprometedores. E o assunto só não avança na mídia como deveria, porque, lá atrás, alguns espertos trocaram notícias tendenciosas por cargos para parentes.

Maquiagem oficial
O pacote para o setor da habitação, de caráter meramente eleitoreiro, não foi bem digerido pelos empresários e representantes do segmento. Uma das barbaridades mais gritantes foi o anúncio de que parcelas do financiamento da casa própria poderão ser descontadas na folha de pagamento, desde que a parcela não ultrapasse 30% do valor nominal do salário. Trata-se de uma idéia suicida, pois não admissível tal situação uma vez que o presidente Lula não criou os dez milhões de novos empregos prometidos na campanha de 2002. É fato que o sonho da casa própria é acalentado por milhões de brasileiros, mas o financiado deve ter o direito de priorizar seus pagamentos. Caso adoeça e não tenha dinheiro para se tratar, o financiado morre e deixa a dívida para a família. Enfim, coisa de gente louca e despreparada.

Tentativa frustrada
Tentando continuamente se esquivar da acusação de se integrante da máfia das ambulâncias superfaturadas, o senador Ney Suassuna se complica a cada dia. No depoimento que prestou na última terça-feira, no Conselho de Ética do Senado, Suassuna declarou que tudo acontecia sem o seu conhecimento, e que sua assinatura fora falsificada por uma assessora. Menos de vinte e quatro horas depois, a assessora Mônica Mucury Teixeira disse, em depoimento à Corregedoria do Senado, que assinava a documentação de Suassuna a pedido do próprio senador. Por outro lado, é preciso lembrar que, há meses, Ney Suassuna, reunido com parlamentares petistas colocou os serviços e o conhecimento de Marcelo de Carvalho à disposição dos barbudinhos mais gulosos. E mais: essa coisa de assessor assinar como se parlamentar fosse é uma prática usual dentro do Congresso. Tão usual quanto parlamentar levar uma beirada nas emendas.

Vaso trincado
Presidente nacional do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE) reconheceu que o partido vive um racha quase irreversível. De um lado estão Fernando Henrique Cardoso e José Serra, e do outro, Geraldo Alckmin e Aécio Neves. A briga retomada no último final de semana teve as chances políticas de Aécio Neves para 2010 como motivo. O tucanato errou ao não dar um basta nos devaneios discursivos de FHC, que deveria se contentar em passear pelas charmosas ruas de Paris, o que seria muito mais barato para o partido. Por outro lado, confirmada as previsões de derrota, Geraldo Alckmin sai do processo eleitoral com um cacife político considerável, o que o habilita para assumir a liderança da oposição. Até porque, 35 milhões de votos (é o que Alckmin deve conquistar nas urnas) não são para qualquer um.

Show de besteiras
Diz o adágio popular que o papel aceita tudo, mas a política aceita muito mais. Na explícita tentativa de enganar o eleitor, alguns programas eleitorais desdenham da capacidade de raciocínio do ser humano. No programa de José Serra, por exemplo, o candidato tucano ao Palácio dos Bandeirantes disse que cidades paulistas que abrigam presídios terão compensações financeiras, a começar pela área da saúde. Ora, desde quando um presídio causa algum tipo de epidemia? Outra inverdade que constou do programa de José Serra é que o tucano foi o melhor ministro da Saúde que o Brasil já teve. É preciso lembrar que foi na gestão Serra que teve início o escândalo das ambulâncias superfaturadas.

Quem te viu...
No caso do senador Aloízio Mercadante, adversário de Serra na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, o programa eleitoral trouxe a declaração de Marta Suplicy, que disse, em tom de recomendação ao eleitor, conhecer o candidato petista. Marta não faltou com a verdade ao dizer o que disse, pois coube a Aloízio Mercadante sentar sobre o relatório do projeto de responsabilidade fiscal, o que livrou da cadeia a ex-prefeita paulistana. Até porque, para fechar as contas de sua gestão, Marta Suplicy precisou pedir ao presidente Lula a liberação de dinheiro do Projeto Reluz. Mais adiante, o programa eleitoral do petista trouxe a informação que Aloízio Mercadante foi escolhido por jornalistas que cobrem o cotidiano do Congresso como o melhor senador do Brasil.

Não dá mais!
Ainda os programas eleitorais... A atual enquete da coluna, que quer saber do leitor se o horário eleitoral gratuito ajuda na escolha dos candidatos, mostra o descontentamento do eleitor com o assunto. Até o fechamento desta edição, 63,16% dos eleitores votaram “não”, ou seja, que os programas eleitorais em nada colaboram no momento da escolha do candidato. Participe e vote na enquete que se encontra na coluna à esquerda.

Grana curta
A dificuldade na arrecadação de dinheiro para campanhas eleitorais, especialmente depois do imbróglio do mensalão, tem trazido enormes problemas para muitos candidatos. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a candidata tucana ao governo gaúcho,Yeda Crusius (PSDB), abandonada pelo marqueteiro Chico Santa Rita há pouco mais de quinze dias, agora enfrenta a animosidade dos outros prestadores de serviços. Os responsáveis pela gravação dos programas eleitorais de Yeda Crusius anunciaram que, cansados de trabalhar sem receber, só entram no estúdio se o dinheiro chegar antes. E se a situação está, como diria o gaúcho, “feia barbaridade”, deve complicar ainda mais, pois o Rio Grande comemora a semana farroupilha.

Tudo combinado
A saúde debilitada de Fidel Castro pode impedir o retorno do ditador ao poder central de Cuba. Muito se especulou nesta quarta-feira em relação ao futuro político de Cuba, mas, contrariando as expectativas da oposição cubana – boa parte mora no exílio –, tudo deve permanecer como está na ilha caribenha, mesmo com a ausência de Fidel. No comando desde que o irmão adoeceu, Raúl Castro – uma versão piorada e sanguinária de Fidel – deve continuar como chefe-maior dos cubanos que vivem na ilha. Mesmo que planos de retomada do poder estejam em marcha, é preciso considerar que as contínuas visitas de Hugo Chávez ao ditador cubano não são para entrega de geléia. O objeto dos encontros tem sido a sucessão em Cuba, onde a garantia de que a turma de Fidel Castro continue no poder é o cardápio das discussões.

Faz de conta
Na última segunda-feira, 11 de setembro, os Estados Unidos abusaram dos eventos que lembraram o ataque às torres gêmeas do World Trade Center, alvo de um ataque terrorista que deixou, só em Nova York, pouco mais de 2,7 mil mortos. O abuso comemorativo serviu não apenas para camuflar a incompetência ianque para capturar Osama bin Laden, líder intelectual dos terroristas que têm o Islã como escudo, mas principalmente para justificar a onda de ataques aos países árabes, como parte do processo imperialista de dominação do mundo. Enquanto choraram por seus mortos, os americanos fecharam os olhos novamente para as barbaridades ianques cometidas no Afeganistão, Iraque e Líbano. E não será novidade se, nas reticências deixadas pelo último 11 de setembro, o governo de George W. Bush propuser um aumento das verbas beligerantes.

Be-a-bá gauche
Pensando bem, depois de chorar por ter conseguido seu primeiro diploma, o de presidente, Lula foi traído pela cartilha.

Patíbulo da vida
(15/09/05) - Quem acompanhou a sessão plenária que decidiu pela cassação do mandato do deputado Roberto Jefferson, achou que a Câmara dos Deputados, por alguns parcos momentos, mais parecia um templo do Tibet, tamanha era a quantidade de honestos de última hora. Não bastassem os discursos inflamados advindos de todas as agremiações políticas, causou espécie a quase imediata resposta do PT para tentar salvar o jornal O Globo, acusado por Jefferson de ser um dos grandes devedores do INSS. Não é de hoje que a Vênus Platinada se vale da proximidade com o poder para existir, o que não tem sido diferente no que tange ao governo Lula. A promiscuidade da relação entre o Palácio do Planalto e a emissora carioca é tamanha, que se o PT e o Planalto não saíssem na defesa do conglomerado empresarial da família Marinho, Lula, ao retornar de mais um périplo internacional, poderia chamar o caminhão de mudança.

Ucho Haddad

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