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ano 6 - número 1200

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Liberdade significa responsabilidade. É por isso que tanta gente tem medo dela."
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George Bernard Shaw

   
página uh!
 
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Azeite - O autor, Luciano Percussi, um expert em gastronomia e enólogo renomado, traz em Azeite-História, Produtores e Receitas, da Editora Senac São Paulo, além de receitas culinárias com azeite, um roteiro para degustá-lo, apresenta sua história na Europa e compila as descobertas da ciência sobre suas qualidades medicinais, cosméticas e terapêuticas.
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Pingos nos is
O imbróglio das cartilhas que exaltam os supostos avanços do governo Lula e criticando a gestão FHC, produzidas a mando do Palácio do Planalto, pode levar muito mais gente ao banco dos réus do que se imagina. O fato é que a Operação Cartilha foi mais uma daquelas obras encomendadas que, como sempre, serve apenas para escoar o dinheiro dos cofres públicos. O Planalto afirmou que as tais cartilhas foram entregues em todo o Brasil, mas os responsáveis por alguns diretórios municipais do PT contradizem os assessores palacianos. O que está claro é que na operação alguém deixou de receber a propina combinada e, inconformado, detalhou a operação ao Tribunal de Contas da União. Resta saber se os restos a pagar da campanha de 2002 do PT foram pagos antes da produção das tais cartilhas.

Quem quer dinheiro?
Cumprindo o compromisso de apoiar a candidatura de Gleisi Hoffmann ao Senado, Lula desembarcou no Paraná, dia desses, acompanhado de uma horda de seguidores, muitos dos quais regiamente pagos com o dinheiro do contribuinte. Figura constante nas caravanas eleitorais do presidente Lula, o ministro Paulo Bernardo da Silva (Planejamento) posou de papagaio de pirata durante comício de sua mulher, Gleisi, que desde que deixou a diretoria financeira de Itaipu tem se dedicado ao inviável sonho de chegar ao Congresso com um mandato debaixo do braço. É fato que chega a ser comovente ver um “maridão” apoiando a candidatura da esposa, mas financiado pelo dinheiro público é caso de polícia. Até porque, a obrigação de Paulo Bernardo é permanecer em Brasília cuidando de seus afazeres. (Foto: Divulgação)

Recordar é viver
Ainda sem se manifestar na campanha pela reeleição do presidente Lula, o vice José Alencar continua devendo uma explicação ao eleitor, antes que seja reconduzido ao Palácio Jaburu. Também candidato a vice na chapa encabeçada pelo operário mais famoso do país, Alencar opta pela “mineirice” quando o assunto é o escândalo das camisetas que a empresa Coteminas forneceu ao Partido dos Trabalhadores na campanha municipal de 2004. Na conta da Coteminas foi depositada a bagatela de pouco mais de R$ 12 milhões, sendo que até agora a origem do dinheiro não foi confirmada. No mínimo estranho.

Sinuca de bico
O caso Razera continua rendendo no Paraná. O araponga oficial do governador Roberto Requião, em depoimento prestado nesta terça-feira, revelou que seu superior imediato era o assessor do mandatário paranaense, Mário Lobo. Em um dos locais utilizados por Délcio Razera para monitorar os adversários de Requião, foi encontrado um bilhete enderreçado a Mário Lobo, o que evidencia a ligação entre o araponga e o chefe da família real paranaense. Visivelmente transtornado com os recentes escândalos, Requião, durante entrevista a uma emissora de televisão local, chamou de ladrões os assessores do ex-governador Jaime Lerner. Governador, é fato que aquele que se apodera do dinheiro público não pode ser chamado de anjo, mas algum adjetivo deve existir para quem compra um apartamento em Miami Beach ou em Paris. No mínimo é um “bon vivant”.

Abrindo o esquife
Candidato à reeleição, o governador do Paraná, Roberto Requião atualmente está licenciado do cargo – parece ter esquecido as promessas da campanha de 2002. Quando ainda brigava pelo direito de se instalar – com mala, cuia e duas dúzias de parentes – no Palácio Iguaçu, Requião declarou guerra aos pedágios, ameaçando, inclusive, cancelar os processos de privatização das estradas paranaenses. Agora, em campanha novamente, Requião declara que irá construir estradas paralelas nos locais onde existem rodovias “pedagiadas”. Ora, se a primeira promessa ainda não foi cumprida, imagine a segunda. Enfim, acredita quem quiser.
(Foto: Wikipedia)

Caminho sem volta
Cada vez mais próximo do presidente Lula, o governador Aécio Neves não soube explicar sua intimidade com o atual ocupante do Palácio do Planalto. Sem espaço dentro do PSBD, Aécio Neves já planejava desembarcar no PMDB, como forma de garantir sua candidatura à presidência em 2010. Veiculada em com exclusividade aqui no ucho.info, a informação foi confirmada, meses atrás, por um assessor do governador mineiro. Agora, com a reeleição do presidente Lula quase garantida, Aécio Neves precisa, cada vez mais, ter livre trânsito no Planalto. Tanto é assim, que a possibilidade da criação de um novo partido – também noticiada em primeira mão pela coluna – continua aquecendo os bastidores do poder. Como informamos, o novo partido começaria, logo de cara, com Luiz Inácio Lula da Silva, Aécio Neves, Nelson Jobim e Lúcio Alcântara, entre outros.

Novos artigos
Com novo livro saindo do forno literário – “A Era Lula – Crônica de um desastre anunciado (Editora Girafa) – o jornalista e escritor Ipojuca Pontes analisa, em “Intelectuais de esquerda”, o lado desonesto de boa parcela dos intelectuais tupiniquins. Em “O eleitor não pune, mas deve escolher”, o jornalista e escritor José Nêumanne Pinto apela para Fernando Pessoa para mostrar que mitos rondam as eleições de outubro próximo. Roberto Romano da Silva, professor de Ética na Unicamp, em “Eleições e cálculos” discorre sobre a necessidade de educação matemática para o bom exercício do voto. Em “O surgimento do lulismo e o besteirol presidencial”, o editor Ucho Haddad explica os motivos da reeleição Lula e disseca a verborragia presidencial. Clique no nome dos colunistas e confira os respectivos artigos.

Peroba nele!
O Conselho de Ética do Senado ouviu, nesta terça-feira, o senador Ney Suassuna (PMDB-PB), acusado de envolvimento na máfia das ambulâncias. Líder do PMDB no Senado, Suassuna tentou, sem convencer, mostrar uma inocência que inexiste, ao mesmo tempo em que aliviou par ao lado de Marcelo de Carvalho, seu ex-assessor. Perguntado sobre as estripulias do ex-assessor, Ney Suassuna disparou: “não estou aqui para acusar o Marcelo”. Conhecido nos bastidores do poder como Marcelo Fraldinha, Carvalho garante que Suassuna sabia de tudo e mais um pouco. Por outro lado, o senador alega total desconhecimento, mas inocenta o ex-assessor. Ou seja, é o samba do crioulo doido.

Face lenhosa
A situação de Ney Suassuna dentro do PMDB não é das mais confortáveis. Sabatinado pelo senador e companheiro de partido Almeida Lima (SE), Suassuna viveu momentos de verdadeira saia justa. Almeida Lima disse que em nenhum momento se sentia liderado por Suassuna, lembrando que o líder do PMDB jamais o indicou uma Comissão sequer, no Senado Federal. Visivelmente alterado com as acusações de envolvimento na máfia das sanguessugas, Suassuna apelou para a galhofa e disse: “de repente eu virei uma Geni”. Em tempo, o senador Heráclito Fortes (PFL-PI) lembrou que o senador Suassuna deveria se dar por satisfeito por estar sendo apenas apedrejado, pois a Geni, aquela da música do Chico Buarque, levou muito mais do que pedras.

Passando batido
Ney Suassuna não soube explicar a evolução patrimonial de Marcelo de Carvalho, acusado de ter embolsado R$ 222.500,00 da Planam. O senador potiguar disse que Carvalho que recebia, entre salário e benefícios, algo perto de R$ 8 mil mensais. Ora, com R$ 8 mil todos os meses fica difícil alguém conseguir comprar um BMW, uma lancha e uma casa bem acima da média. E mais: Marcelo de Carvalho vendeu todos esses bens sem saber para quem e por quanto. Isso mesmo, senador, engane, pois o povo gosta.

Saudosismo eleitoral
Quando foi preso pela Polícia Federal, acusado de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, o ex-prefeito Paulo Maluf selou a sorte grande rumo à Câmara dos Deputados. Podendo fazer até um milhão de votos na eleição de outubro próximo, Maluf ressuscitou o jingle de sua campanha ao governo paulista, ocasião em que perdeu a disputa para Luiz Antonio Fleury Filho, à época um protegido de Orestes Quércia. O jingle “São Paulo é Paulo porque Paulo é trabalhador”, e assim por diante, tem sido tocado todas as vezes que Maluf surge no horário eleitoral gratuito. Por tudo que Paulo Maluf fez ao longo dos anos, só há um antídoto para o jingle ressuscitado. Quem é são não é Paulo. E ponto final.

Fila da vergonha
Uma reunião na casa do presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), decidiu pela demissão de 1.163 dos 2.365 assessores parlamentares contratados de acordo com o que estabelece o regime de Cargos de Natureza Especial. A medida vai permitir uma economia de R$ 50 milhões anuais, uma vez que os salários mensais variam entre R$ 1,5 mil e R$ 8 mil. No contraponto, a Operação Mão-de-Obra da Polícia Federal, que flagrou um esquema fraudulento de contratação de pessoal no Senado, pode não dar em nada. A PF, dizendo ter agido como de praxe, avisou um dia antes a mesa diretora do Senado sobre a operação. No dia da ação, policiais, que esperavam apreender computadores e documentos, nada de substancial encontraram. Mesmo assim, autoridades descobriram um escandaloso envolvimento de parlamentares e profissionais da área de comunicação, os quais vinha,m beneficiando políticos em torça de cargos para parentes e amigos.

Entrou areia
Atrasadas, as novas regras eleitorais inibiram o chamado caixa 2, mas causam transtornos aos candidatos que, em tese, tentam fazer tudo dentro da lei. Candidato à Assembléia Legislativa paulista, o tucano Ricardo Montoro, filho do ex-governador André Franco Montoro, enfrentou problemas na tarde desta terça-feira no momento em que tentou comprar duas passagens aéreas com um cheque da conta bancária da campanha. Na loja da companhia aérea, Ricardo Montoro foi informado que cheques de pessoas jurídicas não são aceitos. O candidato alegou que era preciso pagar com cheque por causa da prestação de contas à Justiça Eleitoral. Sem saída, Montoro foi aconselhado a comprar com seu cartão de crédito e levar um recibo com o CNPJ da campanha. Ou seja, o jeitinho brasileiro não morreu.

Inventando a roda
A Câmara está apreciando um Projeto de Lei (7092/06), de autoria do deputado Wellington Fagundes (PL-MT), que propõe a federalização da rodovia MT-322, como forma de garantir o escoamento da produção agrícola do norte do estado, através do porto maranhense de Itaqui. Beira a irresponsabilidade transferir uma rodovia estadual ao governo federal, pois, desde o início de seu governo, Luiz Inácio Lula da Silva simplesmente abandonou a infra-estrutura, como se nenhum investimento no setor fosse necessário para garantir o desenvolvimento do país. Quem circula pelo Brasil conhece a real situação das estradas federais, o que mostra que a fatídica Operação Tapa-Buracos só serviu para tapar o buraco financeiro das quadrilhas que sempre freqüentaram o Planalto Central.

Pulo do gato
Pensando bem, mesmo redigidas em português, as cartilhas do Lula foram feitas só para inglês ver.

Dois pesos
(13/09/05) - Quando, ao partir para o ataque como forma de se defender dos escândalos de corrupção que açoitam diuturnamente o Palácio do Planalto, o presidente Lula disse que os culpados, amigos ou não, deveriam ser punidos de maneira exemplar. Mas Luiz Inácio, o Lula, acabou deixando de lado as confusões protagonizadas por Antonio Celso Cipriani, ex-presidente da Transbrasil, que conseguiu deixar os funcionários de uma empresa aérea a ver navios. No contraponto, Lula finge que não sabe dos problemas de Henrique Campos Meirelles, presidente do Banco Central, que vem sendo ostensivamente investigado pela Procuradoria Geral da República. Ontem, durante evento em São Paulo, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) voltou a dizer que Meirelles deveria estar atrás das grades. E agora Lula?

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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