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ano 6 - número 1199

terça-feira, 12 de setembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Não existe nada de novo, exceto aquilo que se esqueceu."
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Mademoiselle Bertin

   
página uh!
 
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Azeite - O autor, Luciano Percussi, um expert em gastronomia e enólogo renomado, traz em Azeite-História, Produtores e Receitas, da Editora Senac São Paulo, além de receitas culinárias com azeite, um roteiro para degustá-lo, apresenta sua história na Europa e compila as descobertas da ciência sobre suas qualidades medicinais, cosméticas e terapêuticas.
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Olhos bem abertos
Dando continuidade ao seu discurso barato e populista, sempre de olho na eleição de outubro próximo, Lula disse, nesta segunda-feira, que a classe trabalhadora chegou ao poder para ficar. Tais palavras mostram que o projeto da ala rouge da política tupiniquim era de poder e não de governo. Considerando que, semanas atrás, o presidente Lula tentou, sem sucesso, emplacar a idéia de uma mini-reforma da Constituição, é preciso estar atento para movimentações palacianas escusas que possam garantir, no futuro, a perpetuação no poder. Resumindo, tem cheiro de golpe no ar.

Companheira garantida
Com a vitória praticamente garantida, Luiz Inácio da Silva, o presidente Lula, já começa a negociar a formação do ministério de seu segundo governo. Ainda dono dos cargos que não serão entregues ao PMDB, pelo menos por enquanto, Lula começa a contemplar alguns companheiros de partido, muitos deles sem mandato e que se sacrificaram na atual campanha eleitoral. A mais nova coqueluche dos corredores petistas atende pelo nome de Marta Smith de Vasconcellos Suplicy. Ex-prefeita de São Paulo, a maior cidade do país, Marta Suplicy deve, com toda certeza, ser contemplada com uma importante pasta. Relações Exteriores ou Casa Civil. Prevalecendo a segunda hipótese, seria uma afronta a José Dirceu, que, mesmo tento se bandeado para o lado da ex-alcaidessa paulistana, continua sendo seu desafeto.

Cabidão rouge
Outro nome que começa a circular com certa insistência nas coxias do poder é o de Gleisi Hoffmann, ex-diretora financeira de Itaipu e mulher do ministro Paulo Bernardo da Silva, que deve continuar à frente da pasta do Planejamento. Candidata ao Senado pelo PT paranaense, Hoffmann que deve ser derrotada com facilidade pelo tucano Alvaro Dias, pode assumir um cargo de destaque no segundo governo do companheiro Lula. Seria uma espécie de recompensa por ter enfrentado a ira oposicionista quando as trampolinagens financeiras de Itaipu vieram à tona. (Foto: arquivo Itaipu).

Fora de época
"Se mais esta irregularidade ficar comprovada, é caso de impeachment". Com esta frase, o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), justificou a sua decisão de querer o impeachment do presidente Lula. A declaração de Jereissati, publicada na página eletrônica do PSDB, está justificada pela mais nova denúncia contra o governo Lula, que, segundo a última edição da revista Veja, teria gasto, sem comprovação, R$ 11 milhões em ações da Secretaria de Comunicação de Governo (Secom), comandada pelo samurai Luiz Gushiken. Outro fato que reforça a tese de Tasso Jereissati é a distribuição fora da lei de dois milhões de cartilhas, assunto que pode levar Gushiken a sentar no banco dos réus.

Japonês com raiva
Ainda o samurai palaciano... Enquanto assiste ao desenrolar do mais novo escândalo oficial, Luiz Gushiken continua aguardando um posicionamento da revista Veja, que semanas atrás publicou nota inverídica. De açodo com a revista, Gushiken teria jantado no restaurante Magari, em São Paulo, no dia 11 de agosto, na companhia de um poderoso empresário de comunicação. Na ocasião, de acordo com a nota, a conta, paga em dinheiro, teria ultrapassado os limites do bom senso por causa de uma garrafa de vinho francês. Na verdade, a conta, cujo valor foi muito menor do que o divulgado, foi paga com cartão crédito. Luiz Gushiken já começa a se mexer para processar a revista.

Agora vai?
Hoje, terça-feira, o Conselho de Ética do Senado começa a ouvir os senadores acusados de envolvimento com a máfia das ambulâncias. O primeiro a depor será o senador Ney Suassuna, cuja situação é a mais complicada. Na Procuradoria da República do Distrito Federal, o nome de Ney Suassuna apareceu inúmeras vezes no organograma de investigações da máfia das sanguessugas. O que continua sendo um mistério é o fato de Suassuna estar indo para a degola literalmente abandonado, uma vez que o senador paraibano é uma espécie de arquivo ambulante. Caso Suassuna decida contar o que sabe, não sobrará pedra sobre pedra. A começar pelas estripulias na seara de Jeany Mary Córrner e suas dadivosas garotas.

Eu voltei
Considerando que, perto do que a turma do presidente Lula e do PT fez nos últimos três anos, os escândalos de corrupção da era Collor não passaram de devaneios de sacristia, não será novidade alguma a eleição de Fernando Collor de Mello para o Senado Federal. Candidato pelo PRTB e com apenas dez dias de campanha, Fernando Collor lidera as pesquisas em Alagoas com 36% das intenções de voto, seguido por Ronaldo Lessa (PDT) com 32%, e José Thomaz Nonô (PFL), com 11%. Mesmo assim, chega a ser triste ver um tribuno da altura de Thomaz Nonô na lanterna de uma disputa eleitoral. O PFL errou gravemente ao não lançar Nonô como vice na chapa de Geraldo Alckmin. Dono de um discurso claro e contundente, José Thomaz Nonô, que por seis votos não tomou de Aldo Rebelo a presidência da Câmara dos Deputados, é muito melhor em termos de oratória do que o senador José Jorge, que faz dupla com o tucano Alckmin. (Foto: Terra)

Vale tudo
Mesmo atrasado, o tom dos discursos de campanha de Geraldo Alckmin mudou radicalmente. Longe daquele discurso seminarista, Alckmin agora ataca a corrupção do governo lula, incentivado pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). É verdade que corruptos não devem ser poupados, em hipótese alguma, mas beira a galhofa alguém falar de corrupção incentivado por ACM. Até porque, muitos ainda lembram do escândalo do painel do Senado, que levou ACM e José Roberto Arruda – candidato do PFL ao governo do Distrito Federal – a um temporário ócio político.

Estica e puxa
Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos garantiu que conversas entre presos e advogados, nos presídios federais, não serão gravadas, como determina a Constituição Federal. Assim, Thomaz Basto acabou impondo uma explícita saia-justa ao governador de São Paulo, Claudio Lembo, que defende o monitoramento dos colóquios entres apenados e seus legais seus defensores. Na verdade, mesmo sendo inconstitucional, os grampos telefônicos, em especial os realizados nos telefones celulares dos presos, têm servido para o desmantelamento de parte do crime de organizado. De mais a mais, o governo Lula, se valendo da arapongagem oficial e não oficial, tem feito uso contínuo de tal procedimento. Tanto é assim, que a ameaça de morte feita ao editor da coluna, por um alto e poderoso ex-integrante do governo Lula, teve no grampo telefônico o seu nascedouro.

Vida dura
A cada nova eleição, o horário eleitoral gratuito está cada vez mais enfadonho. Palco o desfile de incompetentes, corruptos e oportunistas de plantão, a propaganda eleitoral é algo que em nada ajuda o eleitor a escolher seu candidato. Como sempre, os candidatos, mágicos de última hora, abusam do eleitor ao prometerem aquilo que sabem ser impossível de cumprir. De segurança pública a resgate da dignidade, passando por Santas Casas e revolução educacional, o eleitor que não tem acesso a televisão por assinatura é obrigado a enfrentar a pasmaceira discursiva dos candidatos. Por isso, o ucho.info lança hoje uma nova enquete: “O horário eleitoral gratuito ajuda na escolha dos candidatos?”. Participe votando na pesquisa que se encontra na coluna à esquerda.

É um espanto
A enquete anterior, que questionava a isonomia de IPI para esferográfica popular e munição de arma de fogo chegou a assustar. Até o fechamento desta edição, 87,27% dos leitores achavam que esferográfica e bala de revólver não podem ter a mesma alíquota de IPI. Já 12,73% dos leitores opinaram a favor da isonomia do imposto em questão para os dois produtos. O resultado mostra a necessidade de uma urgente reforma tributária, o que não impede que soluções imediatas sejam adotadas para eliminar aberrações de tal natureza. Cadernos e lápis, por exemplo, são isentos de IPI. Ou será que uma esferográfica popular não é tão necessária na escola quanto um caderno ou lápis?

Discurso de camelô
No último domingo, o jornal Folha de São Paulo trouxe entrevista com o estilista Clodovil Hernandez, candidato à Câmara dos Deputados por São Paulo. Perguntado sobre as vantagens de ser político, Clodovil disparou: “Nenhuma. Ainda mais porque eu nasci aqui e não na Alemanha, onde tudo é melhor, a começar pela raça. Nós viemos de índios bobos, antropófagos, você não pode pretender que as coisas sejam iguais”. Clodovil Hernandez não pode surgir com esse discurso barato e medíocre, pois ele próprio luta para que as coisas não sejam iguais. Há dias, como noticiou a coluna, o apresentador-estilista-candidato armou uma verdadeira confusão no aeroporto de Congonhas, porque não conseguia embarcar sem apresentar pelo menos um documento original. Armado o barraco, o estilista, se valendo do bordão “você sabe com quem está falando”, acabou seguindo viagem para Belo Horizonte. Sem apresentar o documento original, é claro. (Foto: Agência Estado)

Faturando alto
Como era de se esperar, o governo americano e as emissoras de televisão dos EUA abusaram, neste 11 de setembro, da reprise das imagens do ataque às torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York. Além de pouco acrescentar à história, o “revival”, além de causar dor aos parentes das vítimas, serve para que a Casa Branca camufle sua declarada incompetência para capturar Osama bin Laden, responsável direto pelos ataques, além de garantir que a opinião pública endossará ataques ianques ao redor do planeta. Quem pensa que o terrorismo islâmico vai acabar, engana-se.

Aviões sem asas
Passada a turbulência da quase finada Varig, a companhia aérea vive, a partir deste mês, um verdadeiro frisson nos bastidores. Com a demissão de seis mil funcionários, a nova Varig, agora controlada pela Variglog, obrigou muitos dos demitidos a optar pelo radicalismo como forma de garantir a sobrevivência. Sabrina Knop, Juliana Neves e Patrícia Kreusburg, ex-comissárias da Varig, no rastro do que aconteceu com algumas ex-funcionárias da americana Enron, recheiam a Playboy de setembro. Donas de curvas de tirar o fôlego e retratadas pelas lentes do fotógrafo Fabio Heizenreder, os aviões Sabrina, Juliana e Patrícia certamente levarão o pensamento de muitos marmanjos à decolagem. (Foto: Playboy/Editora Abril)

Madeira de lei
Pensando bem, Lula ao se barbear faz uso de lixa, e não de lâmina.

Antes tarde
(12/09/05) - Esperada por boa parte da população, a prisão de Paulo Maluf e de seu filho, Flávio Maluf, será, sem dúvidas de qualquer espécie, capitalizada politicamente pelo Palácio do Planalto. A maior prova disso foi a atitude dos policiais federais de algemar Flávio Maluf, como se o filho do ex-prefeito de São Paulo fosse um dos mais perigosos criminosos do planeta. Não se trata de acobertar as lambanças patrocinadas pelo clã Maluf, o qual já deveria ter respondido civil e criminalmente por seus atos, mas existe, como sempre, uma dualidade de situações. Desnecessária, pois ambos se apresentaram espontaneamente, a truculência só teve lugar depois que um telefonema de Maluf para o ministro Márcio Thomaz Bastos foi divulgado pela imprensa. De mais a mais, é preciso lembrar que se o ministro da Justiça se sentiu constrangido por ter sido procurado pelo ex-prefeito, constrangimento maior deveriam proporcionar suas incursões no universo advocatício para salvar as figuras corruptas do PT. Enfim...

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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