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ano 6 - número 1196

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Civilização é o processo de libertar o homem dos outros homens."
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Ayn Rand

   
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Terapia de bacana
Quem assistiu ao filme “A Vida é Bela”, com o genial Roberto Benigni, chegou à conclusão que o cotidiano do mundo não é feito apenas de tragédias. Todas as vezes que o psicanalista Eduardo Requião, irmão do governador Roberto Requião, se fartou da enfadonha paisagem do porto de Paranaguá, tudo voltou à normalidade depois que um elegante terraço em South Beach, a mais cara e badalada região de Miami Beach, foi transformado em divã de nababo. No apartamento do condomínio The Courts at South Beach, Eduardo Requião pôde se desvencilhar das agruras portuárias num piscar de olhos. Até porque, se ninguém é de ferro, imagine na família de Rei Kião II.

Parada rouge
O brasileiro pode ir se preparando para arcar com a conta das comemorações do Dia da Independência, que em Brasília servirá de evento eleitoral para o presidente Lula. Driblando as determinações da Justiça Eleitoral e avançando nos cofres oficiais, Luis Inácio Lula da Silva vai faturar com o desfile desta quinta-feira, contrariando o que sempre condenou durante mais de vinte anos. Quando seu antecessor, FHC, aproveitou a máquina pública para se reeleger – e o fez de maneira menos acintosa – o PT, paladino da moral, quase veio abaixo. Hoje, Lula não apenas repete o objeto da condenação, como faz do Estado uma reles ferramenta para a perpetuação no poder. Até porque, a festa de hoje pode ser a última em comemoração a uma literal independência. E mais: tem gente torcendo para que uma reedição da tragédia ocorrida com o egípcio Anuar Sadat se repita em Brasília. Apenas para lembrar: Sadat foi morto durante umdesfile militar, alvo de um tiro de um tanque do exército egípcio.

Estou de mal
Para a opinião pública, a entrevista de Luiz Inácio Lula da Silva ao Jornal Nacional, semanas atrás, foi uma espécie de missa encomendada, mas nem todos pensam assim. Na opinião dos assessores palacianos, a dupla William Bonner e Fátima Bernardes é responsável pela perda de votos do candidato do PT, fato que foi constatado logo após a fatídica entrevista. Acontece que Lula, enquanto candidato, só chegou ao poder porque jamais falou de improviso. Durante os meses de campanha, em 2002, Lula foi uma espécie de marionete política do marqueteiro Duda Mendonça. Tanto é assim, que até o início do calvário do publicitário soteropolitano, Lula sempre discursou com um ponto eletrônico devidamente instalado em uma das orelhas. Na outra ponta do equipamento Duda Mendonça era presença constante. Apenas para lembrar: as crianças, quando encerram uma desavença, usam o dedo mindinho para selar a paz.

Operação abafa
Mais uma vez, o presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), mostrou que servir irresponsavelmente ao Palácio do Planalto é um bom negócio. Rebelo agindo a mando da assessoria palaciana, não leu em plenário o pedido de impeachment do presidente Lula, formulado pela empresária Ana Prudente. De acordo com o documento protocolado na Mesa Diretora da Câmara, Lula é responsável pelo escândalo do mensalão, uma vez que o livro do jornalista Ricardo Kotscho, “Do Golpe ao Poder – Uma Vida de Repórter”, mostra de maneira clara o envolvimento do presidente na corrupção que inundou o país. A atitude de Aldo Rebelo de proteger o presidente no meio da campanha só tem uma explicação. O parlamentar sonha com um cargo na equipe ministerial de Lula. (Foto: Caros Amigos)

O tal do poder
O episódio envolvendo o araponga Délcio Augusto Razera, policial civil paranaense que operava na clandestinidade com as bênçãos de Roberto Requião, continua rendendo dividendos. Em junho de 2004, valendo-se da proximidade com o governador do Paraná, a quem servia de maneira ridícula e degradante, Razera foi personagem do imbróglio que ficou conhecido como o caso da “Loira da Ferrari”. À época, Razera acusou a estudante de Direito, Palmeriane da Silva Rodrigues, então com 20 anos, de envolvimento com o tráfico de drogas e de prostitutas para o exterior. Quando voltava de uma viagem à Europa, Palmeriane Rodrigues foi presa, no aeroporto de Cumbica, por Délcio Razera, que na ocasião se apresentou como funcionário da Casa Civil do governo do Paraná. Trata-se de abuso de poder, pois mesmo que tivesse agido como policial, e não como lambe-botas de Roberto Requião, Razera estava fora de sua jurisdição. Ou seja, cabe uma ação de indenização por danos morais contra Razera e Requião.

Capacho do Rei Kião
Ainda o araponga de Requião... Nos finais de semana, quando se encarregava do churrasco no qual os membros da família Requião se refestelavam, Razera sempre entregava ao governador diversos CDs, contendo as gravações das escutas telefônicas que promovia com a anuência do mandatário paranaense. De posse dos CDs, Roberto Requião sempre ouviu o conteúdo das gravações nas madrugadas, para, depois, como bom falastrão, contar o feito aos próprios grampeados. Apenas para lembrar, a polícia paranaense comprou recentemente um equipamento israelense de monitoramento telefônico de nome Guardian – grampeia 1.600 telefones simultaneamente – e que estava em operação no bunker de Razera. Que papelão governador! (Foto: Wikipedia)

Que vergonha!
Roberto Requião pode até fingir indignação com os últimos acontecimentos envolvendo Délcio Razera, mas certamente ainda não se esqueceu da Deliberação nº 854/2005 do Conselho de Polícia Civil, que absolveu o ex-araponga do Palácio Iguaçu em uma série de processos disciplinares. O descalabro maior está na decisão de Roberto Requião de tomar para si a responsabilidade de analisar os processos de Razera, para, em seguida, absolver o lambe-botas de maneira criminosa e escandalosa. Que belo exemplo, hein, governador! Clique e confira fac-símile do documento.

Cara-de-pau
Ainda repercute, com certo estardalhaço, as declarações do senador Ney Suassuna (PMDB-PB), que certa vez disse ao deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), presidente da CPI das Sanguessugas, que “90% dos parlamentares tiram uma beirada nas emendas que apresentam”. Ainda indignado com o que ouviu de Suassuna, Biscaia confirmou ao Conselho de Ética da Câmara, nesta quarta-feira, as declarações do senador paraibano. Acontece que nesse caso não cabem indignações, pois durante uma reunião com parlamentares petistas, Ney Suassuna não apenas falou do assunto, como colocou o ex-assessor Marcelo Carvalho, também conhecido como Marcelo Fraldinha, à disposição da bancada do PT. Ou seja, nesse imbróglio não há inocente.

Ligações perigosas
Na última segunda-feira, o Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu os efeitos da liminar que obrigava a revista Veja a alterar o conteúdo da reportagem sobre a ligação do PCC com o Partido dos Trabalhadores, dela retirando as alusões feitas ao ex-deputado e candidato à Câmara Federal, José Genoíno. É verdade que o PT vem negado as acusações de envolvimento com a facção criminosa, mas até o nome de Jilmar Tatto, ex-assessor de Marta Suplicy, já veio à baila nesse imbróglio. Por outro lado, a gravação de uma conversa entre duas pessoas ligadas a integrantes do PCC não deixa dúvidas sobre o assunto. Clique e confira a gravação. (Obs.: O download do arquivo demora, em média, 1 minuto ou mais, com conexão do tipo banda larga)

Cadidatura no funil
Dado às confusões no meio televisivo, o ex-apresentador e agora candidato a deputado federal Clodovil Hernandez parece estar vivendo seu inferno astral. Na última terça-feira, como já noticiamos, Clodovil foi flagrado pela coluna tentando, sob ameaça de processar a companhia aérea, embarcar em vôo para Belo Horizonte sem apresentar os documentos originais, o que transgride as determinações da lei 7565, de 19 de dezembro de 1986. Nesta quarta-feira, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo manteve multa no valor de R$ 21.282,00, aplicada ao apresentador por ter participado do “Programa do Faustão”, em 2 de julho passado, ocasião em que se promoveu politicamente, contrariando as regras eleitorais. A Rede Globo, que responde solidariamente, deve pagar multa no mesmo valor, lembrando que ambos têm direito de recorrer da decisão. Mesmo assim, Clodovil Hernandez ainda insiste em afirmar que, se eleito, “Brasília nunca mais será mesma”, tese que o genial e irrepreensível Cássio Scavone, o Manga, tão bem traduziu.

Memória curta
Desde que começou o horário político, o candidato presidencial Luciano Caldas Bivar tem disparado sua solucionática por onde passa. O mais rico de todos os candidatos ao Palácio do Planalto, Luciano Bivar, que apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral uma declaração de bens no valor de R$ R$ 8.828.024,67, abusou do preciosismo ao informar a propriedade de um revólver calibre 38 no valor de R$ 590,00. Por outro lado, Bivar não declarou as cotas que possui da empresa Brasicash, com sede em Miami. A Brasicash Inc., instalada no número 5919 da SW 8th Court e que tem com presidente Luciano Caldas Bivar, é sucessora da empresa Mel-Xpress Remessas Corporation, que também tinha no controle societário o candidato presidencial. Em passado bem recente, empresas concorrentes da Brasicah, algumas delas com sede em Miami e pertencentes a brasileiros, foram alvo de investigações da Polícia Federal. Motivo: lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O caso mais polêmico foi o do doleiro Silvio Anspach, dono da South Exchange.

Comuna endinheirado
Enquanto o Rio Grande do Sul é açoitado por ondas de frio, as campanhas políticas locais não esquentam. A tranqüilidade do cenário político gaúcho se deve à militância petista, que já não exibe o vigor de outrora, especialmente por conta dos recentes casos de corrupção. Por outro lado, um escândalo caseiro, se trazido à tona, certamente jogaria ao rés do chão a esquerda dos pampas. Finda a eleição de 2002, um conhecido deputado federal, dono de um discurso bem pra lá de socialistae dado a defender com nhas e dentes o governo do rpesidente Lula, comprou, pela bagatela de R$ 2 milhões, uma elegante casa na zona sul de Porto Alegre. Resumindo, comunismo, por tudo que se viu até hoje, é coisa de livro de sebo.

Caiu a casa
Se nem os casamentos já não são mais para sempre, imagine o opportunismo em negócios. Considerado como o mais polêmico banqueiro tupiniquim, o “Tantas”, cujo nome a Justiça em decisão ditatorial ainda nos proíbe de citar, sofreu na tarde desta quarta-feira mais um revés em seus negócios. O Superior Tribunal de Justiça julgou procedente uma petição de agravo regimental apresentado pelo Citibank e pelos Fundos de Pensão, o que permitirá que ambos assumam, em no máximo trinta dias, assumam o controle da Telemig Celular. O banqueiro Tantas, nos últimos tempos, vinha fazendo da empresa mineira de telefonia celular uma espécie de cornucópia particular, com a qual sevava aqueles que de alguma maneira lhe eram úteis. E como a Telemig Celular foi uma das alimentadoras do caixa 2 de Marcos Valério Fernandes de Souza, o homem do mensalão, quem sabe agora a verdade seja revelada.

Tudo outra vez
O Tribunal Superior Eleitoral salvou, nesta quarta-feira, a candidatura do ex-deputado Eurico Miranda, barrado politicamente pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. Presidente do Vasco da Gama, Miranda foi ejetado da vida pública quando suas lambanças financeiras no clube cruz-maltino vieram à tona. Em 2000, quando Eurico Miranda ainda se sentia um todo-poderoso, o editor da coluna, de posse de documentos comprometedores, se reuniu com o então vice-presidente do Vasco da Gama, em um hotel da capital paulista, para ouvir explicações sobre remessas ilegais de dinheiro. Dias depois, o editor divulgou a existência da empresa Lolo of Florida, com sede em Miami, e que Miranda utilizava como uma espécie de lavanderia particular. A decisão do TSE, de proteger Eurico Miranda, pode levar ao Congresso mais um caso de impunidade, no momento em que o Brasil tanto precisa de bons exemplos. (Foto: www.jornaldossports.com.br)

Tiro ao alvo
Pensando bem, Lula nem de longe é um Anuar Sadat, mas tanques são tanques em qualquer parte do mundo.

Totalmente perdido
(08/09/05) - Toda crítica aos tropeços do presidente Lula sempre é rotulada pela esquerda plantonista como sendo armação da elite direitista, como se Lula fosse uma espécie de Messias gauche. Em seu discurso à nação, Lula não incluiu uma novidade sequer em sua conhecida verborragia, a não ser a afirmação de que o Brasil será suficiente em petróleo até o final deste ano, dado que a Petrobras ainda desconhece. Por outro lado, Lula voltou ao velho discurso do início de 2003, quando transferia ao antecessor as causas de sua própria incompetência. Não se trata de colocar sob a redoma da probidade o ex-presidente FHC, até porque não se tem notícia da canonização de nenhum rebento luciferiano, mas, depois de trinta e dois meses de governo, culpar o inimigo é sinal de desespero explícito. E mais: no discurso da noite desta quarta-feira, a única inovação de Lula foi o comprimento do cabelo.

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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