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ano 6 - número 1195

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Com alguns deputados, só conversando na sauna, e pelado."
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Sérgio Motta

   
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Grana pelo ralo
O caso do apartamento em Miami Beach, que tem causado frisson desde a Boca Maldita, conhecido ponto de Curitiba, até os mais inacessíveis e longínquos pinheirais, parece que ainda tem muita lenha para ser queimada. No elegante condomínio The Courts at Sout Beach, os nababescos apartamentos têm consumido anualmente de seus proprietários um bom dinheiro em impostos. Vendido por US$ 520 mil e avaliado em exatos US$ 602.930, segundo dados do Condado de Miami, o apartamento de número 14001 exigiu de seus proprietários o desembolso de US$ 9.906,93 em impostos, pagos em 16 de novembro de 2005. Ou seja, novo pagamento deve acontecer nos próximos meses.

Pau mandado
Ainda o Paraná... Délcio Augusto Razera, policial civil que servia no Palácio Iguaçu, sede do Executivo paranaense, contempla a partir de hoje o nascer o do sol de maneira geometricamente distinta. Assessor especial do governador licenciado Roberto Requião, Razera foi preso sob a acusação de comandar um esquema criminoso de escutas telefônicas ilegais. As investigações sobre o caso começaram meses atrás, mas Razera só foi preso nesta quarta-feira. Por decisão de Requião, Razera teve sua cessão funcional revogada. Por conta da campanha eleitoral, Roberto Requião pode até alegar desconhecimento dos fatos que levaram Razera à prisão, mas é algo muito difícil de acreditar. Principalmente porque Délcio Razera era quem preparava os churrascos para a família Requião, sempre realizados na Granja Candiri. Ou seja, Requião sabia das atividades de Razera, se é que não as incentivava.

Covardia oficial
Em seus programas e andanças eleitorais, o candidato Lula retomou o tom populista como forma de se aproximar, cada vez mais, da parcela desinformada da sociedade. Analisadas suas atitudes após ter chegado ao Palácio do Planalto, conclui-se que todo esforço de campanha é algo falso e mitômano. Um dos principais responsáveis pelo marketing da campanha à reeleição do presidente Lula, o publicitário baiano Artur de Negri é a fulanização do espírito arrogante que impera nos corredores palacianos. Hospedado em um elegante hotel de Brasília, a poucos minutos do Palácio do Planalto, Negri, no último final de semana, mostrou ao mundo ser alguém desumano e mal criado. À porta do tal hotel, o marqueteiro presidencial discutiu com um hóspede para, em seguida, destratar um mensageiro e um garçom. Agir de tal maneira com quem precisa do emprego e, por força do ofício, não pode reagir é muito fácil. Fica aqui, presidente Lula, um desafio a esse seu assecla, para que destrate o editor da coluna. É só marcar hora e local.

Quem será?
Ainda sem saber se será reeleito – é quase certo que sim – Luiz Inácio Lula da Silva já começa a conviver com as especulações sobre quem o sucederá a partir de 1º de janeiro de 2001, se até lá nada de anormal e plúmbeo acontecer. Com vaga quase garantida na equipe ministerial do companheiro Lula – será uma espécie de recompensa por ter deixado livre o caminho para Aloízio Mercadante, em São Paulo – a ex-prefeita Marta Suplicy já tem o nome cogitado para ser a candidata do PT à sucessão do presidente Lula. Com menos força e também menos antipatia por parte dos ouvintes, a ministra Dilma Rousseff é nome forte nesse antecipado páreo político. Assim, o melhor a se fazer é acompanhar o andar da carruagem nos próximos quatro anos.

Tiro no pé
Luiz Inácio da Silva, o presidente Lula, em uma de suas inúmeras viagens internacionais, imputou ao Chile, durante conversa reservada e regada a goles extras, adjetivos como “merda”e “piada”. Acontece que a economia do país vizinho vai bem, ao contrário da brasileira, que no segundo trimestre deste ano cresceu apenas meio ponto percentual. É fato que comparar os dois países seria uma irresponsabilidade, mas em números isolados os chilenos deram um banho em nós, brasileiros. Comparada com números de junho passado, a economia chilena apresentou, em julho, crescimento de 4,2%. Presidente, o livre pensamento ainda é uma garantia constitucional, mas alguém há de explicar o que Vossa Excelência entende pelos adjetivos em questão.

Deu zebra
Indicado pelo presidente para integrar o Supremo Tribunal Federal, o ministro Joaquim Barbosa está sendo considerado um insurgente pela turma do palácio do Planalto. Barbosa quer remeter à Justiça comum o julgamento dos mensaleiros sem mandato parlamentar, o que coloca na berlinda Roberto Jefferson e José Dirceu de Oliveira e Silva, ex-comissário palaciano. Acontece que, prevendo tal situação, José Dirceu, também conhecido como Pedro Caroço, está capitaneando uma moção popular para, mais logo em 2007, recuperar seus direitos políticos. Ou seja, mais um tapa na cara da sociedade brasileira.

Já era tarde
No último esforço concentrado antes das eleições de outubro, a Câmara aprovou ontem, por 383 votos a favor e quatro abstenções, o fim do voto secreto em todas as sessões do Congresso. A nova forma de votação valerá para as eleições da Mesa Diretora das duas Casas legislativas (Câmara e Senado), cassação de mandato, indicação de embaixadores e derrubada de veto presidencial. O placar da votação mostrou que os parlamentares que trabalharam para salvar os mensaleiros agiram, naquele momento, contra a vontade popular. E o assunto só veio à baila porque a classe política está desprestigiada e as eleições estão à porta. Resta saber se em dia de votação de cassação o plenário terá quorum para tanto.

Marcha lenta
Ao que parece, a campanha de Geraldo Alckmin mergulhou em quase irreversível pasmaceira. Pesquisa Datafolha, divulgada nesta terça-feira, aponta a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda no primeiro turno. Enquanto a campanha de Geraldo Alckmin não decola, os oposicionistas continuam blasfemando pelos corredores do Congresso. Ontem, terça-feira, o presidente Lula voltou a ser alvo da maledicência da oposição – que não significa que não seja merecedor de críticas –, mas ficou provado que ataques desbaratados não atingem a campanha presidencial petista. O fato é que os oposicionistas acabaram esquecendo e fazer algo importante na democracia: oposição republicana. E agora querem consertar o erro em três semanas.

Só, somente só
Quem anda pelas ruas de Curitiba logo percebe que o senador Flávio Arns, que continua sonhando em conquistar o Palácio Iguaçu, foi literalmente abandonado pelo Partido dos Trabalhadores. Encontrar alguma propaganda política de Flávio Arns na capital paranaense tornou-se objeto não só de galhofa, mas de competição entre aqueles que circulam pela cidade. Antes que algo mude nessa história, é bom lembrar que é de autoria do senador Flávio Arns o projeto de lei aprovado no Senado que dá à empresa BS Colway o direito de importar pneus velhos para vendê-los como se novos fossem. O dono da BS Colway, Francisco Simeão, é amigo íntimo de Luiz Inácio Lula da Silva, a quem já emprestou seu jato executivo, durante a campanha de 2002. No âmbito da política estadual, Chico Simeão tem aparecido em Brasília sempre na companhia de Maurício Requião, filho do governador paranaense.

Calou por quê?
Logo após a invasão da Câmara, em 6 de junho passado, o presidente da Casa, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), que durante horas foi pressionado pelo Palácio do Planalto, que queria ver o assunto amainado, disse, para quem quisesse ouvir, que cobraria dos baderneiros os prejuízos. Passados exatos três meses, as portas de vidro na entrada do anexo II da Câmara ainda não foram substituídas. No local, desde aquela terça-feira vermelha, existem tapumes pintados de cinza. Com a palavra, o deputado Aldo Rebelo.

O tal do poder
Todos são iguais perante a lei, certo? Errado. Se depender do apresentador de televisão e candidato a deputado federal Clodovil Hernandez, alguns estão acima da maioria. Ontem, por volta das onze da manhã, no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, Clodovil tentava embarca para Belo Horizonte sem os documentos originais. Abusando da enfadonha tese do “você sabe com quem está falando”, Hernandez ameaçou processar a companhia aérea, caso não seguisse viagem. De acordo com a lei, embarcar com fotocópias dos documentos é proibido, situação que piora quando a cópia está em tamanho reduzidíssimo. Ou seja, aquele discurso de Clodovil Hernandez, de que com sua eleição Brasília jamais será a mesma, é bazofia. (Foto: arquivo "O Estado de São Paulo")

Face lenhosa
Considerando que, ao arrepio da lei, o estilista-apresentador acabou embarcando para a capital mineira, o editor da coluna, que acompanhou todo o imbróglio, resolveu questionar as autoridades do aeroporto sobre o ocorrido. Na Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, a informação obtida foi que é terminantemente proibido o embarque dos passageiros que não apresentem pelo menos um documento original. Já o delegado federal Antonio Decaro Júnior, responsável pela PF no aeroporto de Congonhas, disse ao editor da coluna que o ocorrido foi uma deslavada transgressão da lei, e que Clodovil Hernandez não poderia ter embarcado. Mas como o estilista-apresentador já se sente autoridade, nem todos são iguais neste país. Ao lado de Hernandez, um passageiro vindo de Santos, no litoral paulista, não conseguiu embarcar pelo mesmo motivo, sendo obrigado a retornar à sua cidade para buscar os documentos originais. Por isso, meu caro leitor, mudar o Brasil só mesmo nas urnas, pois de empulhação basta o que aí está.

Quem pode...
Ainda o aeroporto de Congonhas... O delegado Decaro Júnior, que trata os usuários do aeroporto paulistano com muita fidalguia, tem sido rígido na aplicação da lei, independentemente de quem seja o passageiro. A explicação para o embarque ilegal foi que Clodovil Hernandez era uma figura pública e conhecida. Ora, fosse assim, Luis Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, se em liberdade estivesse, poderia cruzar o país sem documento original algum. Há dias, no mesmo aeroporto, um parlamentar paulista se recusou a colocar sua bagagem de mão na máquina de raio-X. Chamado para solucionar o problema, Antonio Decaro júnior passou uma descompostura no parlamentar. Ou seja, um não é melhor do que outro.

Fingindo de morto
Depois do escândalo dos dólares na cueca, o Partido dos Trabalhadores guindou o assunto para a prateleira do esquecimento. Acontece que o imbróglio petista é alvo de inquérito na Polícia Federal, que tem a origem da dinheirama ilegal como objeto de investigação. Os R$ 200 mil e os US$ 100 mil, que continuam apreendidos, não foram reclamados pelo deputado estadual José Nobre Guimarães (PT-CE) – é irmão de José Genoíno – que até então não provou a procedência do numerário. Mesmo assim, José Nobre Guimarães deve se reeleger no Ceará. Ou seja, cada povo tem o governante que merece.

Alfinetada democrática
Pensando bem, depois de tanta costura torta, a única coisa que o Brasil não precisa é de um costureiro com poder.

Cara de intelectual
(06/09/05) - Tão logo chegou à Presidência da República, Lula chamou a Brasília, sob as expensas do erário, o óptico Miguel Giannini, que se incumbiu de escolher a armação que mais se adequava ao rosto presidencial. Trinta e dois meses depois e algumas crises pelo caminho, foi possível perceber que Lula faz uso dos caros óculos que adquiriu todas as vezes que precisa de um argumento extra para convencer sua contumaz platéia. Ontem, na abertura da 39ª Convenção Nacional de Supermercados, em São Paulo, o presidente Lula abusou do “tira-e-põe” dos óculos. Na verdade, os óculos presidenciais têm servido como um escudo para proteger as mentiras que Lula traz nos olhos.

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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