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Continuação

 

Ademais, posso garantir que não havia permissividade no governo Collor. Não existia mordomia, uso de cartão de crédito no escuro, o Palácio Planalto tinha apenas 420 funcionários (contra os 3.200 da Era Lula), não existia AeroLula e o déficit público chegou a quase zero. Eu, por exemplo, com poderes de ministro de Estado, ganhava algo em torno de R$ 600,00. Sim, é fato: o clima era de completa austeridade.

Mas Collor, até por ignorância, não era um liberal e cortejava as esquerdas, mantendo grande parte dos seus integrantes na máquina pública. De fato, ele não estava em condições de aprofundar o avanço do capitalismo no Brasil, pois acreditava na “presença” do Estado. Sua pose de liberal era só casca, não tinha substância. Resultado: se ferrou. As esquerdas e os comunistas, com o “ajuda” do PC Farias, não tiveram muitas dificuldades para desalojá-lo do poder em menos de dois anos e meio. Além de fraco, não podia enfrentar, de uma só vez, Dirceu, Lula, USP, SNI, CNBB,CUT,UNE, sindicatos, a oposição dos partidos de esquerda e o furor da “onda vermelha” petista. Hoje, curiosamente, traindo o seu eleitorado e as reformas que encetou, Collor virou amigo de Lula - e vice-versa. Uma lástima!

P.L.Uma rápida pesquisa histórica pode esclarecer que o comunismo e o socialismo duas das mais furadas idéias dos homens. Contudo, cresce entre os jovens a ilusão de que homens como Che Guevara possam ser tomados como exemplo de homens que lutaram pela igualdade. O senhor acha que os livros como o seu podem alertar os desavisados o perigo que eles representam?

Ipojuca - O apelo da mitologia socialista é muito forte. Quem não pretende, uma vez estudante, criar um mundo igual e justo? Junte-se o apelo mitológico com a lavagem cerebral sistêmica feita nos colégios e universidades, geralmente conduzida por esquerdistas religiosos, e o permanente endeusamento em filmes, peças, livros, revistas e jornais de figuras assassinas ou deletérias como Marx, Lênin, Fidel ou Guevara – e não fica difícil perceber por que o socialismo, entre os jovens, torna-se uma espécie de senso comum, um cacoete ou mesmo um vício para justificar a preguiça, a impotência e a malandragem.

Mais tarde, salvo exceção, essa gente pouco ligará para liberdade ou igualdade. Ela só pensará num bom emprego público. E uma vez na boca estatal só pensará em mordomias, privilégios e isonomias salariais, enquanto a “cabroeira enfrenta a tribuzana velha braba”, no dizer do tabaréu de Euclides da Cunha. De fato, o apelo socialista ou comunista só é repudiado justamente nos países que são ou foram impositivamente governados pela “canaille gauche”. Mas já aí a coisa fica complicada, pois o poder nos regimes totalitários é exercido pela força e contrária aos apelos de liberdade e de igualdade. É fatal!

Claro que “A Era Lula” ajuda a compreender a questão. E é por isso que ele pode ser lido a qualquer hora e a todo instante, pois é livro atualíssimo.

P.L.Seu livro é dividido em cinco partes distintas. Uma parte dedica espaço ao “personagem Lula”, que o senhor chama de “egocrata”. Como vê o presidente Lula como figura histórica? Terá entrado com sindicalista e poderá sair como ditador apoiado por uma imensa burocracia partidária?

Ipojuca - Desde cedo um rebento da igreja apóstata e do universo acadêmico marxista, para não falar do apoio direto que recebeu da esquerda armada, Lula foi “construído” para ser o que é: um futuro mandatário 100% inconstitucional e, se quiserem, um ditador populista. Ele reunia as “condições objetivas” para tanto: tinha physique de rôle, obstinação, ignorância e muito atrevimento. Tudo passou a ser uma questão de tempo.

De fato, tal como Fidel, Moral e Chávez, Lula se tornou um egocrata, um sujeito instintivo e egoísta que se julga acima das instituições. E, o caso curioso: a esquerda ideológica nutrida no marxismo “científico” vai convivendo muito bem com isso. Recentemente, um renhido membro da fauna, o “cientista político” Chico de Oliveira, um dos mais violentos opositores de Lula, afirmou, antes das eleições, que votaria no presidente que julgava um traidor.

Uma evidência do egocratismo de Lula, o arauto do “eu sou mais eu”, é quando ele próprio se enxerga como “o sujeito mais honesto do mundo”, e que “está pronto para debater com qualquer membro da oposição isso e aquilo outro”, ou que é “um predestinado”. Pelo amor Deus, é muita cara de pau. Dizem que Lula mantém em torno de si uma legião de puxa-sacos, fazendo-o crer que “é o maior”. Uma pessoa decente, como o mínimo de autocrítica, não aceita o puxa-saquismo diuturno. Se um sujeito diz a todo instante: “Fulano você é o maior!”, o honesto é o sujeito responder: “Olhe aqui, amigo, vamos devagar. Se você não acabar com isso não quero mais conversa com você!”.
Mas a questão moral é irrelevante para o comunista. Para Marx, por exemplo, a moralidade era um derivativo, uma armação das classes dominantes.

P.L.Boa parte do livro parece prenunciar o que temos visto em larga escala na atual Era Lula: confusão entre partido e governo, emprego de metodologia leninista, tentativa de cerceamento de liberdade de expressão. Por que o senhor acha que a maior parte de nossas elites intelectuais e empresariais estão comprometidas com o ideário esquerdista, incapaz de perceber o óbvio?

Ipojuca - Em primeiro lugar, no caso dos intelectuais não-comunistas, por medo ou pelo que Georg Lukács, filósofo stalinista, chamava de “consciência oposicionista”. O intelectual (ou o sub-intelectual, não importa), é um ser a serviço do ceticismo e que julga do seu dever desconfiar do poder dominante, que ele pensa, ainda hoje, ser o capitalismo. Para ele, fica feio o sujeito afirmar que quem visa só lucro é mais necessário do que quem espolia o trabalho da massa em nome da justiça social. Não pega bem e gera antagonismos de toda natureza. O sujeito, na sua área, termina perdendo amigos, emprego, respeito e tudo mais.

Já no caso dos empresários, eles permanecem alheios por cegueira ou falsa malandragem. Eles acham que pegando a grana barata ou de graça do BNDES ou Banco do Brasil, e criando superávit para os cofres do governo, está garantido.

 

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