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Crítico do Estado analisa o lado predatório do governo Lula

Ex-Secretário Nacional da Cultura, cineasta consagrado, jornalista e escritor, o paraibano Ipojuca Pontes analisa, no momento mais crítico da política nacional, a atual e desastrada administração petista, em entrevista concedida à revista Primeira Leitura

 

(A republicação da entrevista foi devidamente autorizada pela revista Primeira Leitura e pelo entrevistado)

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Primeira LeituraO seu livro “A Era Lula” aparece em um momento crítico da atual administração. O senhor acha que já é possível traçar um perfil da herança que deixará para o futuro, independente da continuidade de um segundo mandato?

Ipojuca Pontes - Como já foi dito, “A Era Lula – Crônica de um Desastre Anunciado” é o levantamento administrativo, político e ideológico do predatório governo petista. Nele, além de vincular a prática petista aos desmandos totalitários dos regimes soviético e cubano (que conheço com alguma intimidade), acompanhei quase todos os passos de Lula e seu governo corrupto e corruptor nos últimos quatro anos, mormente no que se refere ao desempenho do presidente, que se tornou um perito na arte de dizer uma coisa e fazer outra.

Quanto à herança que deixará para o futuro, especialmente agora que ganhou mais quatro anos na presidência, creio que será a pior possível, visto que ele contaminou o Estado (em si, uma estrutura doentia) com o vírus do lulismo, um mistura do populismo demagógico (uma redundância) com a sanha do esquerdismo comunizante (outra redundância). Se não se criar uma oposição forte, analisando o dia a dia de forma didática e assumindo com determinação uma postura democrática e conservadora, dificilmente Lula (e sua entourage) sairá do poder. Mesmo cometendo as maiores barbaridades. A alternância do poder para os socialistas-leninistas não existe. Como Chávez, Lula sempre arranjará um “meio” para ficar no centro do poder. O assistencialismo parasitário é um deles. Mais antes terão de criar dispositivos legais, o que não é difícil, para censurar a liberdade de imprensa e de expressão.

P.L.Vamos falar sobre o caráter autoritário do governo Lula. Até que ponto o senhor achar que essa administração é influenciada pelo caráter autoritário da esquerda, de uma forma geral e da latino-americana em particular?

Ipojuca - O caráter totalitário da esquerda em todo o mundo, no plano administrativo, consiste em destruir ou perverter as instituições livres para se manter no centro do poder, com o conseqüente aparelhamento do Estado e o seu controle político e ideológico. É bom lembrar que no totalitarismo sempre prevalece, sem reservas, a supremacia da sociedade sobre o indivíduo e que, nele, o respeito ao estado de direito e as garantias individuais são considerados um preconceito burguês. Ademais, no avanço das esquerdas na América Latina há nuances de diferenciação, mas Lula, Chávez, Fidel e Morales são faces de uma mesma moeda. E o que os une, em larga escala, é o ódio aos Estados Unidos, um país ainda democrático, onde o direito a propriedade, por exemplo, não é encarado como um crime. Lá se consagra o esforço individual, o mérito e a criatividade que podem levar qualquer um à fortuna. O ódio aos norte-americanos nasce do fato de que o individualismo nos EUA suplanta, em larga escala, o coletivismo socialista.

P.L.Como o senhor vê os bastidores desse governo? Há mesmo uma influência de agentes externos? Nossa soberania nacional pode estar comprometida pelos laços existentes entre a administração Lula e e esses agentes externos?

Ipojuca - O Foro de São Paulo, uma nova “internacional” comunista no âmbito da AL, criado por Fidel e o PT em 1990, já foi apontado como a usina de “idéias” e “projetos” que fazem, anualmente, a agenda dos governos e das centenas de organizações esquerdista na AL, inclusive as francamente criminosas, tais como as Farc e o MIR. Embora se diga o contrário, para essa gente não existe o conceito do Estado-Nação, tudo forma um só bloco ideológico, com o objetivo de “recriar na América Latina o que foi perdido no Leste Europeu”. Quando Morales e Chávez resolvem se apossar das refinarias da Petrobrás, na Bolívia, a idéia de soberania nacional passa a ser figura de retórica. Não é em vão que Lula se recusa a ver no ato da posse das refinarias um assalto ao povo brasileiro e “entende” o gesto de Morales. Tudo foi articulado na agenda do Foro, cuja estratégia prioriza a questão energética no projeto de apressar na AL a criação de uma “União das Repúblicas Populares”, experiência criminosa banida do Leste europeu. Dizem que a África é, hoje, o continente perdido. Discordo. Sou mais a América Latina.

P.L. O senhor acha possível cultivar uma visão do nacionalismo que não seja simplesmente a repetição dos clichês anti-americanos difundidos pela esquerda?

Ipojuca - Na definição do Dr. Samuel Johnson, o lexicólogo inglês, o nacionalismo é o último refugio dos canalhas. Mas, hoje, considero o Estado-nação um meio de se resistir ao jogo coletivista da farisaica ONU e seus aliados esquerdistas. O grande Eugênio Gudin, posto em quarentena pelas esquerdas, tem um livro notável sobre nacionalismo e patriotismo, de atualidade permanente, e que deveria ser reeditado. Ele revela que as esquerdas marxistas usam o nacionalismo para se apossar da credulidade passional das massas e depois se mostram “internacionalistas” para fomentar um “imperialismo às avessas”, um imperialismo da esquerda. Divino Gudin!

P.L. – A mídia e uma boa parte da historiografia fizeram com que a sociedade brasileira visse a administração Collor como exemplo de corrupção e má utilização da máquina pública, O senhor acha isso justo? É possível traçar um paralelo entre os supostos erros e crimes daquele governo e os do governo Lula?

Ipojuca - O governo Collor foi eleito, parcialmente, em cima do programa traçado por Margaret Teatcher para livrar a Inglaterra do buraco da estagnação provocada pela estatização e pela força predatória do sindicalismo corporativo. Na posse, Collor fechou dezenas de penduricalhos estatais (entre eles a corrupta e aparelhada Embrafilme), mantidos e mesmo ampliados na Nova República pelo coronelismo de Sarney e do Dr. Ulisses (presidente paralelo) que usavam a máquina estatal para manter o empreguismo parasitário. E Collor - o que foi fundamental posteriormente - criou um programa de abertura e desregulamentação da economia que levou o País adiante (e que Lula, cultor do “Estado forte”, agora está destruindo com a ajuda do comunista Celso Amorim).

 

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